instituto projetos ambientais, em revista

C o p e n h a g e é aqui. Emergentes dão o tom na reunião do clima em ambiente "é proibido proibir"

O SABOR DO CALOR






Elaborar essa pauta foi um dos maiores desafios para o Blog "Projetos Ambientais".De início as referências bibliográficas situam-se entre o aparato jornalístico-científico: desde as Revistas Época e Veja aos Jornais Folha de São Paulo, Estado de São Paulo, e especialmente, O Le Monde - Brasil diplomatique (que traz entrevistas importantissímas) Ano 3 /Número 29 / Dezembro de 2009. Também alguns livros recém lançados e os pontos de vista de cientistas citados nestes periódicos. Assim, com sub-títulos nos temas desenvolvidos pela leitura do Blog sobre o evento. E, Scientific American - Outubro de 2005 - Ano 4 Nº. 41; Revista Isto é - Ano 32 Nº. 2093 de Dezembro de 2009.
(texto em correção aceitando sugestões)

0. Emergentes e ONGs dão o tom da reunião do clima - entre retalhações, prisões e censura à livre expressão

Pelas fotos da postagem: enquanto iniciava a reunião do clima em Copenhague, de São Paulo, registrava-se uma das maiores chuvas dos últimos cinco anos, deixando a Zona Norte praticamente ilhada - registro de 400 mm, e; uma catadora de recicláveis no centro próximo a Av. Paulista - praticamente mergulhada em um aglomerado de lixo para coleta pública. A televisão brasileira mostrou: rio na França que deveria estar congelado nessa época do ano e corre em fluxo oontínuo de vazão; a formação de desertos na Rússia em área de mar, agora pequenos lagos; degelo no norte da Itália; e outros pontos do mundo onde se verifica "realmente" disfunção natural do comportamento da natureza sob efeito das ações de alteração climática, provas contudentes de que o aquecimento é real, assim como outras alterações preocupantes com o ambiente natural, acumuladas ao longo de decádas.

Não resta dúvida, de que os grupos que levaram a sério a constatação de que o planeta está doente, muito doente e reage de forma assustadora aos sintomas, foram os de emergentes. Deram o ritmo da reunião de Copenhague - coisa que devia ter sido liderada pelos chefes de Estado. Oportunidade perdida para todos que não fizeram o dever de casa. Não fizeram mesmo.

E, para países tão avançados como os europeus (aparentemente) - em economia, educação, sociologia - levar ao extremo da prisão e proibição da manifestação dos emergentes foi ao menos anti-pedagógico, para não dizer antagônico ao 'Estado Democrático de Direito'.

"Estado democrático de direito é um conceito que designa qualquer Estado que se aplica a garantir o respeito das liberdades civis, ou seja, o respeito pelos direitos humanos e pelas liberdades fundamentais, através do estabelecimento de uma proteção jurídica. Em um Estado de Direito, as próprias autoridades políticas estão sujeitas ao respeito da regra de direito."

Por esse ângulo foi opressor o papel de retalhações nas manifestações em Copenhague, especialmente, porque os manifestantes atuavam em favor dos direitos difusos e coletivos - em favor da humanidade não em causa própria.


1. Desfile de números e discursos retóricos desenham uma Copenhague a margem do aquecimento global

Isso mesmo, aconteceu Copenhague! Desde 2005, já se desenhava resultados mais que representativos do aquecimento global em matérias em teores técnicos até mesmo superiores ao que se publicou durante a reunião do clima. É necessária a leitura a Scientific American (SA - ano 4, N. 41) com título de capa = "O Planeta no Limite - a raça humana chegou a uma encruzilhada. Podemos - ou não criar o melhor dos mundos." São registros, nessa publicação, científicos e reais sobre as implicações do aquecimento global: previsão de que um furacão de grandes proporções poderia deixar Nova Orleans submersa em metros de profundidade, além da ocupação do longo do Mississipi influenciando nesse risco.... Em 29 de agosto de 2006 o Katrina (furacão) cruzou Nova Orleans a 216 Km/h devastando sem piedade a cidade lar do jazz e do blues, do cajun e do creole e do carnaval americano. Na região da Louisiana 240 mil m2 de terreno desaparecem por dia e vastas áreas da região estão a apenas alguns metros acima do nível do mar. Nesta mesma edição de SA, o autor George Musser desenvolve de forma esclarecedora, com dados técnicos e funcionalmente apresentados, o tema " O Clímax da Humanidade", onde deixa claro que nossa era é única na história no que diz respeito à economia e à população. Dependendo do que fizermos nos próximos anos, podemos nos guiar rumo a sustentabilidade ambiental - ou dar porta ao colapso. Projeção são graficadas, como: o crescimento da população, a prosperidade per capita, e o problema das emissões de CO2. Além de sugestão de um plano de ação para o século XXI. Outro texto, de Joel E. Cohen, retrata o inchaço da população para o 9 bilhões ao longo dos próximos (até) 40 anos. O fim da miséria é tradado por Jeffredy Sachs, desenhando metas como atingir a educação primária universal, promover igualdade entre os sexos e dar poder às mulheres, erradicar a fome e a pobreza universal (em situações de desespero), reduzir a mortalidade infantil, melhorar a saúde materna, combate a aids e malária, garantir sustentabilidade ambiental, produzir uma parceria global para o desenvolvimento sustentável, trantando ainda de corrupção e crecimento econômico. Outros temas como mais lucro e menos carbono, conservação da biodiversidade e o grande potencial da pequena agricultura, saúde pública em transição e sustentabilidade em um mundo lotado e a escoha das prioridades; são tratados nos periódicos, mais consubstanciosamente, no ano de 2005, revelando faces de uma necessária mudança de paradigmas em torno que se trata como desenvolvimento - cuidados que deveriam estar sendo tidos, não só na retórica do discurso - o que nem mesmo aconteceu (até o discurso foi decepcionante). Copenhague começa com muitos números, dados de emissões, registros que em nada conseguem influenciar no consenso para uma concreta proposta de minimização dos efeitos do aquecimento - mas sem lideranças para uma proposta coletiva ou de grupos de países. As delegações dos países ricos, friamente se posicionaram diante do aquecimento global. Frieza contestável ao espelho das catatósfres a que expõem suas populações. Países em desenvolvimento, mostram interesse, mas desconhecimento mesmo conceitual sobre o significado de meio ambiente: um presidente falando em anjos e uma ministra afirmando que o meio ambiente é contra o desenvolvimento sustentável. Pelo menos desvendou-se que estes sequer compram publicações como as que usamos aqui, facilmente encontradas em bancas de jornais. Quanto menos, leram Capra, Sachs, Ab'Saber, Milton Santos e outros. Formação técnica faz diferença. Entender opiniões técnicas e pesquisas científicas nem sempre é tão fácil. Todavia, ler jornais? Notícias constatadas, isso não podemos entender face a tanto desconhecimento ou negação à situação caótica do clima. Os países pobres sim, fizeram a cena em Copenhague, possivelmente pela emergência que a fome traz ao estomâgo, que a discriminação dói na alma, pelo reflexo de que morrer por falta de remédio é verdade, que a aids dizima pessoas, que o calor sem água queima, e que assistir a providências para populações excluídas ao senso da especulação econômica é desumano.

Nesse tom aconteceu Copenheague, os emergentes mostraram aos olhares de 'faz de conta' de países ricos e daqueles em desenvolvimento que equidade social e ambiental é a emergencial prioridade para o planeta. Fica a pergunta: a uma década andada no século XXI, retalhações como prisões e censura ao direito de expressão, especialmente, sobre o que de fato é para o coletivo, visto em catastófes, resultados reais do aquecimento e alterações no clima, são atitudes humanamente educativas? É probido proibir! Desde o início dos tempos 'punir' não significa diminuir os efeitos ao que se prõpoe. Enquanto para a questão ambiental os emergentes só quiseram dizer o que nenhum chefe de Estado, supostamente culturados de saber e amparo técnico e dententores de poder, humanamente se puseram a. Nem nas suas expressões, nem nos discursos do nada para lugar nenhum. O que não significa que depois de Copenhague de volta aos seus lares, a causa ambiental de destitui, ao contrário, se fortalece na escora da ausência de oportunidade coletiva tido na reunião do clima. Faltou uma liderança! O Brasil promete (depois de 8 anos desse governo) + uma história de ditadura, reduzir em 10 anos algo entre 30 e 40% das emissões. Quer criar mais leis, e tentando desqualificar outras como o Código Florestal (absurdo paradoxal). Além de ter perdido uma grande oportunidade em Copenhague.

2. A última possibilidade de reunir as diferentes etnias: conter os efeitos climáticos

As diferenças entre culturas é sabiamente necessária, assim como dos interesses econômicos e construídos no desenrolar da história do mundo. "A natureza é perfeita" - dizem e se percebe para quem a observa. Nesse tempo de busca e luta pela humanização das relações nos ecossistemas, a partir do humano, como regulador ou influenciador nessas trocas, nem sempre ao postulado da sinergia, surge a oportunidade das diferentes etnias em algum momento de unificarem, sim isso mesmo: o grande desafio das populações é estabelecer um consenso e a possibilidade de oferecer uma proposta para a questão ambiental e efeitos sobre o clima, pelo menso em grupos de países. O desafio continua! Está aí latente para as grandes lideranças se agruparem em torno da causa.... Ou pelo menos começarem a ler mais sobre o tema, analisar melhor respostas científicas, traduzir tecnlogias mais limpas e assumirem a responsabilidade de que essa conta climática pode ainda, ficar mais cara, com índices sobrepostos, juros, impostos, taxações e uma descapitalização que qualquer economista - ou ministro (a), poderá por analogia, aos termos pertinentes - ser induzido a compreender. Basta olhar ao redor, próprio da definição de meio ambiente - da junção de dois vocábulos latinos 'ambire' = amb = ao redor de, à volta de e; ire = ir ao. E 'meio' para dar uma conotação geométrica, espacial por assim dizer. Logo, Meio Ambiente se define. A Sustentablidade do Desenvolvimento firma-se como terminologia para a Amércia Latina na década de 90 e nasce dentro do próprio conceito de Meio Ambiente. Os políticos de Copenhague não precisam começar a entender pela leitura de Henrique Leff ou Sachs, podem mesmo começar a frequentar a banca de jornal mais próxima e ler sobre as modificações climáticas e catastrófes - inundações, mortes, empobrecimento, destruição de cidades - ocorridas em suas regiões de gestão pública. Ou temos a sensação por metafóra (?) ao "Ensaio sobre a Cegueira" de José Saramago.

3. A conta do clima ficou cara demais? Ainda pode ser pior!

Os jornais brasileiros trazem matérias sintéticas e numa linguaguem acessível a todos, mas de cunho positivo em relação à seriedade do tema. E analisando os efeitos reais dos efeitos climáticos sobre a (des) qualidade de vida de muitas regiões.
Em seguida a Copenhague, no interior de São Paulo registra-se uma paisagem de transição para o verão, própria de qualquer país europeu em tempo de inverno. Foi assim que se viu estradas de Batatais e Ribeiraão Preto - cobertas de espessas camadas de gelo. Além do grande volume de chuvas em regiões não previstas, com trágicos efeitos somados à urbanização não planejada. Além dos registros de 'dislexia climática' em diferentes pontos do globo e a intensa continuidade do degelo das calotas polares.
Terminos o ano com uma enchente em Capivari - em uma hora e meia o rio transbordou e subiu seis metros (data de 29/12/09)
Não é preciso reafirmar que essa conta ainda pode ficar mais cara!

O Le Monde - traz matérias como:
- que a reunião de Copenhague pode trazer mais consciência ambiental nas eleições de 2010; como a publicação de Leis sobre Mudanças Climáticas;
- e questões como sobre o Brasil ser auto-suficiente em energia - possui a matriz energética mais limpa do planeta: 85% da energia elétrica provém de hidrelétricas e o país usa apenas 30% do seu potencial hidrelétrico, sendo que há fontes limpas ded energia a serem exploradas, como a eólica e solar, e aextraída do bagaço da cana-de-açucar. O que justificaria manter o programa de de construção de usinas termoelétricas e nucleares?- financiar o verde - é (era) preciso sair de Copenhague sabendo qual é o tamanho do esforço econômico que os países ricos estão dispostos a fazer para frear o aquecimento da Terra. A redução das emissões dos países desenvolvidos em suas fronteiras é essencial para manter certo controle sobre o aquecimento, visto que eles respondem por 50% das emissões globais.
- um exemplo inquietante: se o gelo da Groenlândia derreter, a elevação do nível do mar poderá ser de 6 metros. Isso significa não só a inundação de Daka, capital de Blangladesh, e de outras cidades marítimas asiáticas, mas também de Nova York, Amsterdã e Londres. Ora, estudos recentes mostram a superfície da calota glacial da Groenlândia que derreteu é 150% superior à média apontada entre 1988 e 2006, chegando a mais de 2000 metros;- até agora, três dos limiares planetários - a mudança climática, a perda da biodiversidade e o ciclo do nitrogênio - já foram excedidos, e mais quatro - ciclo do fósforo, acidificação dos oceanos, usos de água doce e do solo - serão logo ultrapassados se as atividades humanas mantiverem o ritmo atual;
- o principal problema que o Brasil tem a enfrentar é o desmatamento da Amazônia, que é decorrência do neocapitalismo. Fala-se em redução, em desmatamento zero a partir de agora, e evita-se o debate do que já aconteceu. É preciso bloquear o desmatamento, não negociar porcentagens, e isso impedir que os espaços virem mercadoria.

Nota: no mesmo periódico Le Monde - diplomatique Brasil - se apresenta o presidente francês muito mais precoupado com conter o doente mental mais barato e investir em segurança nos sanatórios do que qualquer menção a Copenhague.

4. O Brasil em Copenhague - e aqui no Brasil onde está Copenhague?

Não é preciso estender muito a discussão sobre a posição do Brasil. Quem vive aqui sabe do mundança de paisagem, natural e de ministra para ministro, de inundações e ocupações assustadoras em regiões - a dever serem vocacionadas a usos múltiplos, ao invés, dando lugar a exploração da monocultura. Também quem vive aqui, sabe do sem-fim desmatamento da Amazônia e praticamente a impulsão do desaparecimento do Cerrado na região do Triângulo Mineiro. Melhor continuar analisando essa paisagem destoante dos projetos científicos das grandes universidades. Dos estudos de diagnóstico ambiental realizados nas décadas de 80 e 90, dando lugar a mapeamento de espécies em extinção. Isso sabemos. A conta de água vem subindo em todos os sentidos e a miséria continua, também nas escolas, nas universidades e desvenda-se o que se tem de melhor sobre meio ambiente: as oportunidades de trabalho e a sistêmica lacuna de resolver graves problemas de uso do território, biodiversidade e recursos hídricos. Mãos a obra - temos tudo por fazer. O resto a natureza nos deu de presente!
Copenhague é aqui! Especialmente pelos nossos pesquisadores e o crucial papel das universidades e formadores de opinião. O Brasil é Copenhague - ou está demorando demais para ser?

O especial 'Clima' da Folha de São Paulo de 6 de Dezembro de 2006 traz (superficial):
- mesmo ricos desconhecem sobre mudanças climáticas;
- pobreza é o que mais preocupa;
- sobre pagar mais impostos por produtos mais limpos;
- explica o que é COP-15;
- menciona o que há de errado com o Protocolo de Kyoto;
- enfatiza que a reunião que começa amanhã em Copenhague traz racha entre países ricos e pobres e propostas insuficientes para conter o aquecimento global;
- esforços para conter meta de desmatamento do Cerrado é 50% menor que para a Amazônia;
- minoria acadêmica rejeita consenso;
- conservadores reclamam de custos;

O caderno Mais (denso) importante matéria 'Equação Verde' e destaque para as publicações citadas:
- A Terceira Margem - de Ignacy Sachs com tradução de Rosa Freire d'Aguiar pela Editora Companhia das Letras R$ 55;
- Desenvolvimento, Justiça e Meio Ambiente - de José Augusto de Pádua / UFMG-Peirópolis R$ 49;
- A nova ordem ecológica - de Luc Ferry com tradução de Rejane Janowiter, Editora Difel R$ 39.

Recomenda-se - por acesso mais popular, nem por isso menos técnico:
- Revista Época - 14 dezembro de 2009 - Uma semana para salvar a Terra;
- Revista IstoÉ - 23 dezembro de 2009 - Conferência do clima de Copenhague - É pior do que você imagina


5. Políticas Públicas e Educação - Universidades e (des) eloquência ambiental

No Brasil está explodindo a criação de cursos de Engenharia Ambiental. O MEC sintetiza cursos de engenharia em lista mais restrita e as universidades particulares insistem - na mesma mão da conta do clima em cursos mais rentáveis e o mercantilismo na educação não é capaz de produzir relações de ensino-aprendizagem baseadas no processo científico. A universidade (a maioria delas) não conseguiu se manter à frente da educação e há algum tempo tem se tornado muito mais uma extensão do ensino médio, incapacitando-se de desafiar uma interlocução dianteira no processo formativo. Os cursos de Engenharia Ambiental, parece,surgem mais pela demanda utópica do que pelo direcionamento em formar interventores no processo de gestão ambiental e políticas públicas, indo ao Planejamento Ambiental como pilar de sustentação da questão.

Mesmo o Direito Ambiental - o país caminha em TACs emergencialmente a serem revistos, consubstanciados em ética, e sobretudo ao papel que podem se prestar: proteger a população dos riscos ambientais e garantir a conservação dos recursos naturais.

Os currículos enxutos - estão começando a se prestar a alguma disciplina ambiental - mormente com diretrizes estabelecidas pelo compromisso de profissionais à margem da questão ambiental - mais juristas ou propriamente gestores tecnológicos. Assim, tornando a disciplina ambiental ou as ciências ambientais como ferramenta não como o papel transversal que deveria ocupar em todos os cursos - ou propriamente como ciência que é.

Recomendamos a leitura de Henrique Leff, Fritjof Capra, Ignacy Sachs, Aziz Ab'Saber e mesmo importantes projetos desenvolvidos em universidades de excelência no Brasil e mundo. E vários pesquisadores comprometidos e mais investimentos em projetos ambientais.

Por outro lado, e de forma suplementar ao erro educacional na formação superior, mesmos profissionais ocupando vários papéis para suprir a deficiência financeira, levando atores docentes de disciplinas básicas a assumir o ensino de cadeiras específicas na temática ambiental e, também o baixo investimento em profissioanais altamente especializados para o tema.

Copenhague é aqui! Possa ser pela educação o caminho mais imediato para respostas homeopáticas sobre o clima. Diante de uma emergência assustadora a que se encontra a saúde do planeta!

Plagiando a comédia brasileira, desejamos que o Planeta Terra tenha um final feliz!



Bibliografia
*Le Monde - Brasil diplomatique - Ano 3 / Nº. 29 / Dezembro 2009Matérias:- Antiguidades e contradições - Silvio Cattia Bava- Compartilhar as responsabilidades - Carlos Minc e Suzana Kahn- Os piores cenários possíveis - Michael Löwy- É urgente conter o aquecimento global - Aziz Ab'Saber- O planeta chega ao seu limite - Amâncio Friaça- Os obstáculos no caminho de Copenhague - Riccardo Petrella- Confronto de Tecnologias - Elisabeth Grimberg
* Meio Ambiente E eu com isso? Nurit Bensusan - São Paulo: Peiropólis, 2009
* O poder da cultura. Leonardo Brant. São Paulo: Peiropólis, 2009.
* Revista Época ----- Uma semana para salvar a terra.

Natureza no espaço urbano - viagem por uma São Paulo surpreendente

Pessoas , natureza e urbanismo podem conviver juntos.
Uma reflexão com imagens para se perceber um ambiente expecionalmente agradável e gerador de qualidade de vida.
Em 2010 plante uma árvore e veja com anda seu bairro, pode ser a oportunidade para um projeto ambiental.




















Imagens do espaço urbano integrado - paisagismo e ecologia urbana.
O resultado é a apresentação de uma sequencia de imagens capturadas em dezembro de 2009, no mesmo período da reunião de Copenhague (sobre o clima), ilustrando contrastes de uma capital ambígua, complexa e surpreendente - assim é São Paulo.
Urbano, natureza e qualidade de vida podem sim estar juntos, mesmo em espaços tão metropolizados - as imagens mostram o que pode ser feito em cidades de médio e pequeno porte, ou seja, a capital paulista dita sim exemplos de urbanismo ecológico, acenando para projetos e ações conjuntas entre políticas públicas e ecologia da paisagem.
Viaje junto com a gente nas fotografias, isso que esperamos, surpreenda-se também!
Entre pés de café, goiabeiras e bananeiras......
Exemplos para tantas prefeituras, bairros e pessoas, entenderem que rejeitar a natureza pode ser um problema bem mais sério que a própria questão ambiental. Pode ser um problema existencial, de formação humana, tão sério quanto não promover espaços naturais para as populações, pois destituí-los já sabemos que muitos aprenderam bem.
Aprecie as imagens!
Nota: As fotos foram clicadas no Bairro Vila Madalena em São Paulo - SP. Vale a pena visitar.

Notícias em meio ambiente (trânsito 2009 - 2010)





No último bimestre ( de setembro a outubro) não são poucos os assuntos e discussões em matéria ambiental - mesmo no exames e provas nacionais têm sido pauta constante, todavia as respostas e conquistas não fazem jus ao quanto o tema tem sido circulado em oralidades (o que já é algo)- ou seja, respostas no meio natural são e estão sempre sendo detectadas sobre condições de maior exposição dos riscos ambientais, dimunições de vazões, taxas de desmatamento, enfim. Destaque para:

No caderno ciência da Folha de São Paulo de 25 de Outubro de 2009: dois químicos da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) se uniram a uma empresa e desenvolvem projeto pioneiro na diminuição do risco representado pelo dióxido de Carbono - gás principal responsável pelo aquecimento global. A pesquisa consiste no uso de esferas cerâmicas com potencial para filtrar a substância nas chaminés das fábricas. A meta é sequestrar entre 40 a 60% de CO2 - a nova fase do projeto deve mobilizar recursos da ordem de R$ 2,3 milhões.

Mas, umas da matérias que mais chama a atenção data de 04 de Outubro de 2009, assinada por Marcelo Leite (cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br) e tem o título: DESTRUIR PARA PRESERVAR - curso já ensinou 3.500 a desmatar sem acabar com toda a floresta. O breve texto é sufuciente para se criar um grande discussão sobre a Sustentabilidade do Desenvolvimento - até mesmo para ser usado em sala de aula nos temas ambientais. (Sugestão: ler com o grupo e deixar que manisfestem livremente suas opiniões sobre a abordagem do texto antes das intevenções e associação aos conceitos e bases científicas).Em síntese o texto trata do resultado de uma visita do autor a Paragominas, Pará, a 120 Km da sede do Município. Um visita é realizada ao IFT (Instituto Floresta Tropical) sob direção de um estrangeiro e que ensina a destrutir a Floresta, com aulas práticas de uso da motoserra, visando a formação de pastagens de baixa produtividade. O IFT dá o exemplo explicando que destruir respeitando grotas e igarapés para a formação de estradas é a melhor forma de preservar. Li e reli o texto, sozinho e em sala de aula com aluno de formação técnica em meio ambiente. Exploramos pontos da reportagem e dizeres do autor (aos fatos). Ao final os alunos expuseram suas idéias a partir do texto, para o tema Desenvolvimento Sustentável. Vale a pena ler a reportagem. No final apresentamos mais um ponto de vista: Já que nossa análise sai de um outro bioma (moramos no Cerrado, especialmente no Triângulo Mineiro) porque não usamos o exemplo do IFT para fazer justamente o contrário aqui, já que bioma está desaparecendo em sem contas: - respeitamos estradas e iguapés e reconstituímos a floresta. Isso mesmo RECOMPOR A VEGETAÇÃO - à inversão do título da reportagem "REFLORESTAR PARA SOBREVIVER" - AOS ALTOS ÍNDICES DE TEMPERATURA, crescentes aqui em Minas Gerais e, não só a vegetação mas também ao comprometimento das reservas de água.

A também coluna de Marcelo Leite de 25 de Outubro de 2009 lembra dos menos de 42 dias restantes para a Reunião de Copenhague, na Dinamarca, destacando que a previsão do clima não é boa. Se não faz idéia do que trata estas reuniões da ONU, naturalmente à citação do autor, porque acaba de desembarcar na Terra. Leia sobre. Veja a posição do Brasil nessa reunião. Veja ao seu redor, como anda a vegetação da sua região (desde que nasceu), como anda o rio em que nadava (ou devia ter), tome um banho de sol durante o dia, ande a pé pela sua cidade..... se assim ainda não concluir nada sobre o meio ambiente, analise o que está comendo, a origem da soja e dos morangos que consome, e especialmente da água que você bebe. Pense nisso, estude isso, afinal é a sua vida, e da sua prole (que supostamente ama).

Por fim, não podia deixar de citar a coluna da Marina Silva de ontem (02/11) em que destaca que o país aprovou dois projetos de lei bastante significativos na Câmara dos Deputados: um que institui a Política Nacional sobre Mudança do Clima e o que cria o Fundo Nacional para Mudança Climática. Mas........ Porém............ no dia seguinte um dos grupos mais atrasados do agronegócio brasileiro insistem, e de forma ardilosa, aprovar na Comissão de Meio Ambiente - projeto (ridicularizando o campo de maior aporte do Brasil diante dos países desenvolvidos - que é o campo ambiental, sua rica biodiversidades, seus estoques favoráveis de recursos hídricos) que modifica o Código Florestal. Bem, basta ver o que o Código já se sustenta em bases mínimas e não cumpridas. Basta ver nossos rios, o uso de faixas marginais, o assoreamento, maiores baixas nas vazões em 60 anos, enfim....... prestam-se ao papel de criar a contramão no cenário ambiental sob injustificáveis formas de uso de do solo. Faz-se assim necessário modelar o caminho da educação para o processo político, torná-lo sujeito em condição sine qua non às formas de Sustentabilidade do Desenvolvimento. Possivelmente, que a carreira profissional política não seja arbitrada das formas de garantir recursos naturais em condições de qualidade e quantidade capazes de suprir necessidades de gerações futuras. Esse grupo rancoroso à vida, arbitrário ao processo moderno de agronegócio, e especialmente 'doente' nas formas de preservação das águas brasileiras, precisa em primeira mão 'aprender a escrever', restando a recomendação classificatória para tal classe - do mais promíscuo analfabetismo ambiental! À senadora o apoio ao postulado técnico, diante de tal reverso de desenvolvimento, pela modificação do Código Florestal (e-mail: contatomarinasilva@uol.com.br).

Aos profissionais da área ambiental, fica assim um breve relato das notícias ambientais nesse último mês (10/2009). Entre outras, o protótipo do Carro Elétrico está nas páginas da Revista Época, enquanto a Revista Veja fala do fim do mundo e o 'datum' 2012. Aos profissionais da área ambiental, é preciso tratar na sua formação de intervenções técnicas e capacidade para interpretação funcional e jurídica, além de estratagemas lúdicas e de alcanço educacional para os mais arcaicos tipos de grupos reacionários ao projeto de Sustentabilidade do Planeta Terra e, mais imediatamente do local onde estamos vivendo.
Isso quer dizer: Curso em Meio Ambiente, técnicos ou engenharias, devem preparar do ponto de vista técnico e científico para as situações que se afiguram, além de a proteção psicológica para lidar com tais questões.

Projetos ambientais não podem parar; são a saída para auxiliar na ignorância ambiental! Divulgue o seu! Ajude sua cidade, seus amigos e outros profissionais com idéias e pesquisas de alcance (ao menos local) da Sustentabilidade. E..... não deixe de olhar: - a paisagem da sua janela!

Um projeto científico em meio ambiente





Um projeto está sempre associado a uma "idéia"; que pode ser ousada, de grande projeção na mente de quem pensa. Por isso surge a metodologia da pesquisa, como forma de normalizar e dar caráter real a essa "idéia". Se pode pensar num projeto, por exemplo, de reestruturar e dar corpo de revitalização à vegetação urbana e desenvolver um estudo para melhorar as condições de climatização em uma cidade. Da idéia à realização existe um caminho. O importante para quem pesquisa é sempre o gosto pela descoberta e pela apresentação de projetos, sabendo-se que nem todos vão se tornar de fato obras reais (no todo ou em partes), mas o trabalho de um pensador é continuar pensando e sugerindo, visto a melhorar as condições do seu espaço, do seu meio, da população em que se situa. Algumas sugestões para delinear um projeto, neste caso ambiental:

- Da estatística experimental, apreende-se alguns elementos fundamentais para um estudo científico: como as unidades experimentais ou parcelas; os tratamentos; a variável em análise (diga-se deve ser clara, bem apresentada) e; a importância da casualização ou aleatorização. Sugere-se aqui a leitura de: Sônia Vieira (Estatística Experimental) e Pimentel Gomes (Curso de Estatística. Fundamentos de experimentação devem permear um projeto científico, conceitos a serem usados em definições do que vai ser comparado, o número de repetições, o que se está comparando para a evolução do tema em estudo na dimensão da ciência na região ou macro-região;

- assim levanta-se outro ponto-referência: a área de estudo. Em estudos ambientais, ou que envolvam a Sustentabilidade, a Ecologia e especialmente características como a água, os solos e a vegetação, se pode combinar levantamentos ou experiências que são delimitadas por espaços territoriais; logo, estes devem estar bem definidos, claramente identificados, usando-se por exemplo Sistemas de Informações Geográficas - SIGs, ou mapas de projeção das áreas de estudo, e elucidação das metodologias para caracterização das mesmas.

- de forma geral, a metodologia da pesquisa propõe partir-se da 'problematização' - ou seja, de questões que serão respondidas ao longo da pesquisa. Realmente é uma condição relevante: traduzir questões e respostas por meio de hipóteses (afirmações) e, então, desenvolver a pesquisa apresentando conclusões que podem ser positivas ou negativas. Tem-se a pre-disposição de que sempre as respostas devem ser positivas, pelo contrário, conclusões negativas em muito auxiliam a extensão da pesquisa e orientação de grupos de pesquisadores sobre determinado tema.
(nem sempre alunos têm esta facilidade, portanto a importância de um orientador de pesquisa ou orientadores - co-orientador)

- a pesquisa, é fundamentada em uma Revisão Bibliográfica: citação dos principais autores e pesquisadores do tema em voga. É muito importante o referencial teórico, um plano de assunto que dá bases técnicas, científicas, e legais para o projeto pretenso. O uso e organização da legislação é bastante importante: como o caso de biotecnologias, patentes, identificação de espécies, uso aplicado da biodiversidade, entre outros.

- São partes usuais em projetos científicos: Uma 'Introdução' (ou apresentação técnica da pesquisa); 'Objetivos' (geral e específicos - se for o caso); uma Justificativa (dando a relevância oportuna da pesquisa); Hipótese (s), que pode vir ao final da Introdução ou em tópico específico; Uma 'Revisão Bibliográfica', com organização da base teórica que dá sustentação ao estudo científico; também deve compor o projeto o capítulo 'Materiais e Métodos', traduzindo o objeto de estudo, suas nuances e também que métodos serão usados para obtenção dos resultados, como serão analisados os resultados e forma de apresentação dos dados, suas comparações, métodos de diagnóstico e prognóstico; Resultados Esperados (em caso de projeto em início) - sendo substituído por 'Resultados e Discussões' quando a pesquisa já tiver sido concluída e; por fim o capítulo Conclusões - com as principais discussões comentadas e focadas como observações conclusivas do projeto científico; após as 'Conclusões' apresentar o capítulo 'Bibliografia' com a identificação completa das obras e leis usadas na revisão bibliográgfica de forma ao leitor poder localizá-las e situá-las no entendimento da pesquisa.

- O importante em um projeto ou para quem vai realizá-lo é dar partida pela escolha de um tema: neste caso que o tema tenha vínculo com o escopo do currículo do pesquisador, ou ser do interesse profissional do pesquisador, para que possa investir tempo em uma pesquisa ou projeto que esteja alinhado com sua identidade profissional ou em formação.

- Claro, o projeto também deve ter "nome"------------- um título sintético da sua estrutura, claro, com todas as informações esperadas à expectativa de leitores e outros pesquisadores. Segue-se ao título um resumo e palavras-chave.

- Escolhido um tema comece com levantamentos científicos e técnicos: leituras e fichamentos de material (livros, artigos, periódicos, publicações) dando fundamentação a sua pesquisa e, então, definindo o objetivo pretendido (à hipótese).

- Em Planejamentos Ambientais - gestão ambiental - é esperado uma definição da área de estudo, escalas adotadas e tempos (sazonalidade, história, projeção futura da pesquisa) - ou seja, a combinação de área (s), escalas e tempos. Ler Planejamento Ambiental: teoria e prática, de Rozely Ferreira dos Santos (2004) e outros como Miltom Santos - O país distorcido e a rol de legislação ambiental do país e região. Sugere-se também o estudo de Stacciarini, R. em Avaliação da qualidade do recursos hídricos junto ao Município de Paulínia, Estado de São Paulo, Brasil. E diversos outros projetos, em Universidades de excelência no Brasil.

Nota: a sequência de fotos motra uma mesma árvore - exemplar de Cerrado no Município de Uberaba-MG, ao caso de chamar a atenção para os olhares em projetos científicos - um objeto sob diferentes olhares e, mesmo, um único olhar para distintos objetos - praticar a pesquisa é exercitar a observação constante, a trajetórias dos objetos, suas multiplicações, efeitos causais, e relações com o ecossistema (s). Situar-se no Ecossistema é também uma partida.

Conflitos sócio-ambientais no território urbano



1. Preâmbulo sobre urbanismo e cidades - o que são cidades?

O Planejamento Urbano surge como uma resposta aos resultados alcançados pelo urbanismo modificado sobre o modo de pensar e agir sobre a cidade sob dois primas:
1º a cidade como um contínuo, uma entidade dinâmica e sua preparação para a tomada de decisões;
2º entrada de outras disciplinas - como a sociologia, a geografia, economia (...)

- sendo pela historiciade que a cidade introduzida pela Revolução Industrial causou rupturas nos paradigmas, ocasionando um súbito crescimento da população.

Ou seja, a definição de cidade pela arquitetura sofre uma crise.

Com as mudanças da cidade industrial duas correntes de pensamento se firmam - duas posições extremas tendo a Revolução Industrial (RI) como chave para tempos modernos , onde todas as contradições estariam resolvidas ou forma de negá-las pelo desaparecimento de um mundo melhor:

- o Progressismo: deslocaram-se os interesses dos aspectos sociais e econômicos para estruturas técnicas, funcionais e estéticas- a meta: alcançar a eficiência em todos os sentidos;

- o Culturalismo: acreditava-se que a cidade industrial (RI) representava a degeneração da qualidade urbana - pregavam retomada de modelos de organização pré-industrial como resgate de "relações sócio-culturais qualitativamente superiores".

Os Municípios retratam a menor divisão político-administrativa. Sendo a 'Cidade' a sede do Município - sendo que as atividades econômicas da cidade diferem das do campo, sendo principais o setor secundário (transformação de produtos naturais produzidos pelo setor primário em produtos de consumo) e o setor terciário (comercialização, serviços comerciais pessoais)

São progressistas: Le Corbusier, Ozenfant, Rietvelt, Oud, Gropius, entre outros.
São culturalistas: Camilo Site, E. Howard, Raymond Unwin, entre demais.

O resultado da Sociologia e o espaço urbano culmina em três correntes:
- Escola de Chicago: escola ecológica - uso de princípios da ecologia para organizações sociais urbanas;
- Empirismo quantitativo: uso de pesquisas práticas com indicadores mensuráveis;
- Cientistas sociais: esforço por uma teoria sociológica urbana (Weber, Spencer, Davis).

A economia e o espaço urbano tem origem em Adam Smith e o pensamento Marxista sob dois enfoques: macroeconomia e microeconomia, sendo respectivamente: teorias regionais, teorias Keynesianas e teoria da localização 'espaço reduzido a coordenadas geográficas'.
O urbanismo brasileiro nasceu do urbanismo progressita europeu e caracteriza-se por ser pouco (ou não) crítico , limitando-se a técnicas de projeto à escala urbana. A experiência brasileira de planejamento é reduzida se comparada (...) fato, aliado à peculiaridade dos nossos problemas tornando a importação de modelos hábito inútil, quando não danoso.

2. As cidades contemporâneas

A dificuldade para entender a nova 'cidade contemporânea' como um fenômenos unitário está associada a extinta validade de um princípio teórico muito aceitado no último século (passado) :
o que entendia o espaço - as atividades, as rendas do solo, a segregação social, a interação entre as partes - como organizado por uma distância, traduzida numa resistência a interação cujo valor ou renda diminui ao aumentar o custo do distanciamento entre o centro e os lugares dependentes; a analogia gravitatória funcionou bem na década de 70 como explicação das interações pelos deslocamentos entre as diferentes partes da cidade. "As distâncias se tem feito múltiplas e mutáveis, em cada ponto do território tem-se não uma distância, mas muitas - segundo os modos de deslocamento, o gênero, a renda, idade, a ocupação das pessoas que se deslocam."
Na nova situação, sem a fricção da distância diversas atividades ou qualquer, podem ser oferecidas em distintos lugares do território e diminui a vigência entre a relação de ordem das coroas circulares de densidades decrescentes e usos diferenciados, do centro à periferia. O território arquipelágo, é um território sulcado de descontinuidades, porém conectado; o atributo da acessibilidade é outorgado pela topologia da rede e o acesso a ela, não pela centralidade espacial. Poderia-se dizer que o que penaliza a acessibilidade é o número de translados mais que o tempo recorrido. A multiplicação dos distanciamentos, deslocamentos, em quantidade e tipo, o crescimento da motorização e a rede de transporte público, assim como o aumento das velocidades dos deslocamentos e da rede de transportes públicos, assim como o aumento da velocidade dos distanciamentos e das viagens percorridas por uma pessoa, são circunstâncias do falecimento do das distâncias como principal organizador do espaço.

3. Os conflitos sócio-ambientais urbanos e mecanismos de intervenção

No Brasil os conflitos sócio-ambientais nas áreas urbanas são analisados pela ótica de duas vertentes:
- objetiva:litígios entre projetos de desenvolvimento;
- subjetiva: representação social e identidades culturais distintas.

O enfrentamento dos conflitos sócio-ambientais urbanos são, por princípios, mecanismos sócio-econômicos das mais valias urbanas, fundiárias e ambientais decorrentes de investimentos públicos (deficitários) ou mesmo a valorização artificial das terras.

Mecanismos compensatórios são percebidos no Estatuto das Cidades Lei 10.257/2001 e Lei 9.985 / 2000.

É importante associar que a dominação sociocultural dos países desenvolvidos e resistência expressa na luta às comunidades pobres, indígenas e africanas na América Latina, compõem a estrutura de segregação e geração de conflitos e apropriação de áreas de preservação ambiental ou de domínio público (mesmo privado).

A Instituição de Zonas Especiais de Interesse SócioAmbiental - como concessão de uso especial para fins de moradia - refletem mecanismos de compensação. Modelos urbanos de países em desenvolvimento : o modelo centro-periferia e as noções de verticalização e auto-construção são utilizadas de maneira complementar e justapostas sem qualquer articulação - expressam dinâmicas:
- produção imobiliária intensiva e;
- produção imobiliária extensiva.
Considerados sem articulação ficam referendados pelo lugar - central ou periférico (a partir dos modelos históricos-sociais de ocupação de espaço e economias à tendência globalizante).

valendo assim identificar na compreensão os agentes de produção do espaço, suas (dis)funções e ações constituídas no tempo - a partir do papel do Estado.

Destacam-se instrumentos de gestão:
- Avaliação de Impacto Ambiental - Resolução Conama 01/86 e Lei 6938/81
- Agenda 21 local: seus pressupotos, desenvolvimento endógeno.
- Avalação de Impacto Social - avalia impactos projetos e políticas em seus possíveis efeitos econômicos, sociais e culturais sobre pessoas, grupos de pessoas ou comunidades;
- Planejamento local integrado: coordenação junto as esferas de governo;
- Auditorias: avaliação de efetividade de um sistema, exigências locais e reguladoras;
- Relatório sobre o Meio Ambiente - formatos técnicos e legais, conservacionistas, integradores de formas de ocupação do espaço;
- Entre outros mecanismos: Análise Campo de Forças; Ferramentas de Gerenciamento Ambiental; Indicadores Ambientais e Humanos; Monitoramento Ambiental e Análise de Riscos.

4. Conclusões

Possivelmente na detecção de conflitos e mesmo neles surgem modelos de adequação e soluções viáveis, endógenas, quando se agrega ação política, um Estado forte e a combinação de uma estruturação técnica e incorporação dos mecanismos vigentes, já na realidade brasileira.

A integração de espaços naturais ao espaço urbanizado é uma lacuna extemamente deficitária na realidade brasileira - a própria criação do Estatuto de Cidades levou mais de onze anos de discussão e surge de forma tímida num governo que tenta em pseudo formato aglutinar a integração técnica e científica nas metas de políticas públicas - criando afastamento de grandes profissionais da situação conflitante em ambientes urbanos.

O resultado tem sido mais violência - as ocupações em áreas de risco, associadas a metas de agravo da poluição tem afetado o clima e redundantes imapctos sobre a segurança da população - numa lógica da combinação a criminalização oriunda de espaços alternativos de ocupação para moradias, especialmente pela valorização de zonas e ordenanças para fins ditos nobres em descompasso à consideração de que os fins de usos do solo para a moradia podem ser mais flexíveis.

Um demanda de profissionais e técnicos em projetos de intervenção sócio-ambiental urbana é emergente - assim como o Estado e a tutela ambiental de direitos difusos se fazer respeitável para um país que se posiciona na transição para o desenvolvimento frente a esfera mundial.

Pobreza, fome, miséria educacional, analfabetismo ambiental, são postulados de todas as formas e classes no nosso país, devendo ser combatido com fortes programas de ação técnica indo aos direitos humanos, regulação salarial, e criatividade em questões locais, por ações conjuntas entre áreas técnicas.

O Brasil tem a missão sobrerana de representar um real projeto ambiental e de Sustentabilidade do Desenvolvimento - pela recomposição das mazelas de suas metrópoles e cidades médias em processo de metropolização, permitindo pelas suas lideranças a implementação de projetos estruturados e aprender a seguir orientações técnicas assim como fomentar a formação de profissionais na área de planejamento e gestão do território - e mesmo aceitar a inserção dos mesmos em escolas federais em desenvolvimento, respeitando a igualdade de oportunidade e a distinguir bons projetos de ventanias de cunho eleitoral e corruptivo.

Faz-se oportuno reverter a referência do poeta:
"O Brasil é um país cheio de árvores e de gente dizendo adeus (...)"

Referências Bibiográficas

III Congresso de Engenharia Civil, Territorio e Meio Ambiente - Zaragoza, ES, 2006 - especialmente a mesa redonda Bordas de Cidades e a esplanação de Ordonez et al.

Cidades Brasileiras seu controle ou o caos - Obra de Cândido Malta Filho

O país distorcido de Milton Santos e seu vasto legado

Compêndio da Lesgislação Brasileira em Território e Meio Ambiente - Lei 6766/79; Lei 9785/99; Lei 10257/2001; Lei 8171/1991; Lei 6938/81; Lei 9605/98; Lei 9985/2000; Lei 25/1937, entre outras e Resoluções Conama.

Obras de:
- Henri Lefbvre
- Françoise Choay
- Charles Fourier
- Max Weber
- Friedrich Engels

Como iniciar a elaboração de um projeto



Para melhor compor o texto, centra-se em duas divisões:
- projetos elaborados por um docente e;
- projetos a serem elaborados por um aluno.
Todavia, elas se completam ou se suplementam.

Projeto elaborado por aluno para a conclusão de curso

Primeiramente a questão temporal: sugere-se ser iniciado pelo menos dois anos antes da conclusão do curso. É pertinente já seu início no segundo ano do curso, de forma a não ser uma função burocrática, não pode ser isso, mas sim algum significado na vida do aluno após o término do curso.
O aluno deve buscar inicialmente um tema que possa ser conjugado a sua vida profissional, a algum ponto-tema do currículo que tenha interesse em se apronfundar. É muito importante a visão do todo, mas inicialmente tenha um foco: um sub-tema, ou sub-sub de um tema. Definido um assunto referência. Comece a leitura, dedique-se a alguns meses fazendo um levantamento de quais são as melhores referências bibliográficas do assunto na sua região, país e mundo. E lei-as. Faça um rascunho textual; escreva tentando relacionar: o que está querendo pesquisar com o que está lendo nas referências. Elabore um texto organizado entre frases suas e citações bibliográficas (mostre ao orientador): depois, num segundo momento, pensando em capítulos que podem ser inicialmente ou basicamente - objetivo, desenvolvimento, conclusões e bibliografia. Converse novamente com seu orientador, explore os conhecimentos apresentados por ele, não trabalhe sozinho. Qualquer menção a valores, percentuais, estatísticas, dados e definições: devem ser cuidadosamente citadas e referendadas. Não tenha hesitação em criar, num primeiro momento exponha tudo o que pensa, acredita ou prevê no papel e, nunca descarte a evolução das correções, abra uma pasta para isso.

Projeto elaborado por aluno para iniciação científica

Supõe-se aqui, o aluno já com uma base bibliográfica levantada e avanços em leituras (ou vocação para). Está subtendido o gosto pelo laboratório, seja de exatas, humanas ou biológicas. Conhecimento de artigos publicados em periódicos nacionais e internacionais devem estar sempre na pasta desses alunos. Saber escrever é outro ponto, ou seja, organizar suas idéias, adequar a concordância e gostar de fazer perguntas... O aluno que não pergunta é menos propenso a pesquisa básica. Faça uma listagem de perguntas que quer responder sobre um determinado tema, somando-se às questões de um professor que tenha afinidade, em trabalho e no tema de estudo. Pesquise na literatura (comece pelas universidades de excelência do Brasil) se suas perguntas já foram respondidas por algum pesquisador (outros alunos de iniciação científica e cursos de pós-graduação) - siga esse caminho com auxílio do professor que se propõe a ajudá-lo. Nesse processo de pesquisa estableça contatos com professores de outros centros de estudo e pesquisa. Esteja preparado para ouvir 'não' e que isso estimule o trabalho. Após alguns meses de pesquisa, defina suas perguntas e sua base bibliográfica consultada em adequação ao seu laboratório, aos seguintes pressupostos:
- O seu objetivo é......
- O seu objeto de estudo e seus caminhos para ter as respostas são...
- A resposta esperada é....
Comece!

Projeto elaborado por professor para definição de sua linha temática

Faça uma profunda análise de suas pesquisas. O seu projeto para obtenção da especialização, do mestrado e doutorado se situam num grau de conectividade e evolução? Ou o que deseja que seja o doutoramento é? O doutorado é mesmo um impressão digital da vida acadêmica; é o momento adequado para que se consolide o 'projeto de vida', por isso é tão importante. Associe suas pesquisas desenvolvidas e o projeto a desenvolver às disciplinas em que atua ou atuou. Deve haver sintonia neste processo. Adeque essas realidades ou projeções à instituição em que está trabalhando, atuando ou convidado(a) a desenvolver o projeto. Em concomitante, dialogue com seus possíveis pares de pesquisadores (anote), ou seja, os docentes que se relacionam com sua área de estudo. Consulte as áreas e sub-áreas do conhecimento na plataforma da capes, mec. E situe-se na realidade da região e país. Lembre-se que estão relacionados estes itens, já que uma linha temática deve ser transformada na sua linha de pesquisa, ou seja até onde você desejar ir (como profissional acadêmico). Persevere, isso é importante. Uma sugestão é conversar com o coordenador ou diretor do (s) curso (s) (departamento), as linhas temáticas devem se localizar nos cursos da instituição (ou dar partida a esta localização).

Projeto elaborado por professor para captação de recursos

Pesquisar sobre a instituição de fomento, analisar outros projetos aprovados, montantes demandados, e resultados de pesquisas que se relacionam com a proposta de seu projeto. Estruturar a equipe ou grupo de pesquisa, traduzir objetivamente as funções e etapas, hierarquizar funções, forma de tratamento dos dados, combinação das linhas temáticas de cada um. Quantos e que perfil de alunos poderá ser envolvido (ou não), assim como a operacionalização e dedicação de cada membro da equipe. Conferir realmente que infra-estrutura se dispõe, a contra-partida institucional, a temporalidade, a logística, e classificação das respostas a serem obtidas com o projeto ao domínio de cada pesquisador e sua linha e também institucionalmente.
Importante: enviar projetos por diversas tentativas - analisar as opiniões do relator, re-adequá-las, reenviar: existem muitas fontes de recursos e faltam bons projetos; mas mande, e insista. Cada item previsto para comprar via projeto deve ser correspondente a uma ação e posterior resposta - veja a sintonia nisto.

Projeto elaborado por professor sem recursos

Comece escrevendo os resultados que já tem ou que referências consubstanciam seus estudos. Ao longo de sua experiência que respostas já obteve, se tem alguma conclusão dentro do tema que estuda, ou que pesquisador as tem? Possa ser que sua partida seja um conjunto de respostas de um pesquisador experiente e você deseja implantar um projeto adequado à sua realidade; crie, simule situações.
Tenha uma caderneta de campo, isso é fundamental. Anote diaria ou semanalmente suas observações, sua amostra (e seu universo); ande sempre com essa caderneta, idéias surgem em horas inesperadas, assim, não esqueça: Anote! Faça um balanço de seu material didático, organize suas hipóteses e aplique-as. Ou transforme estudos em experimentações com grupos de alunos e, de um ano para outro evolua os questionamentos. Faça o tratamento dos dados que já tem. A cada período estipulado para levantamento dos dados, desenvolva o relatório do período; a partir deste, confeccione seu primeiro (ou mais de um) artigo. Sugestão: não escreva individualmente (some a alunos, técnicos do laboratório, outros professores, colegas de outras unidades, empresas, professores aposentados, parcerias outras).

N o t a :
Faça contato!

Mande-nos seus resultados, pesquisas, textos.
Sua publicação pode estar aqui.

Construções Sustentáveis



O livro de Marco Antonio dos Reis Pereira e Antonio Ludovico Beraldo com a colaboração de Betty Feffer, de 235 páginas, é exemplar fundamental para a compreensão objetiva e subjetiva da temática 'Construções Sustentáveis'. A publicação, enormemente elogiada pela crítica ambiental e tecnológica, remete aos dois pontos de vista:

- Pela objetividade - expressando e consubstanciando informações sobre o Bambu como material vital em tempos de reformulações nos processos construtivos; traduzindo dados comparativos de ensaios e postulados sobre o Bambu e sua resistência; modelos construtivos; história sobre o Bambu e fusão a materias alternativos em aplicações construtivas; propriedades do material- caracterização física, química, mecânica;

- Pela Subjetividade - a relação do Bambu aos processos terapêuticos e assim, ao nosso interior, formatos de percepção ambiental, a extensão da natureza na direção do próprio corpo, ou a partir de, para a consciência ambiental, numa sutil relação de 'casa interior' - possivelmente o caminho e morada maior para o processo de Sustentabilidade.

O Livro dos Professores Marco e Beraldo é uma referência técnica e aplicada muito importante para o tema Construções Sustentáveis. Necessária.

Para conhecer mais sobre o Bambu e contatos com o Prof. Beraldo clique no título da postagem.

Um Olhar matemático na compreensão de respostas em projetos ambientais







Convidamos, nesta oportunidade, a Professora Mariangela Amendola, doutora em Matemática Aplicada e Computação Científica, com atividades de ensino e pesquisa junto à Faculdade de Engenharia Agrícola da Universidade Estadual de Campinas.

Projetos ambientais: Profª. Drª. Mariangela,
Diante da demanda em informações, dúvidas e mesmo falta de ponderações nas interpretações de dados obtidos pelo monitoramento em eventos fenomenológicos naturais, é de grande importância, se digne acatar, desenvolver algumas reflexões sobre a análise de comportamentos experimentais planejados (ou não) em projetos ambientais.
Trata-se de uma análise genérica, mas viável a interessados no tema ambiental, e que, por alguma oportunidade veêm-se diante da compreensão analítica de dados, ou de bancos de dados; ou ainda, para os que desejam iniciar algum tipo de planejamento à obtenção de respostas dos comportamentos ambientais. Sugere-se um texto para sua apreciação, assim se considerar conveniente incrementá-lo ou mesmo questioná-lo diante da sua experiência e conhecimentos. O Blog projetos ambientais agradece sua colaboração. Saudações Ambientais!

A base de texto sugerido pelo Blog para mediação pela professora foi:
Projetos Ambientais: "O desenvolvimento de projetos ambientais e na agricultura, implica em levantamentos de informações e dados de naturezas diversas. Especialmente, muitas das informações, na atualidade, podem ser mensuradas e assim tidas a significados numéricos.
Por exemplo, caracterizações dos solos e associação aos produtos processados ou beneficiados pós-colheita, demandas naturais de energia, volumes de biomassas produzidos, dados de vazões, relações de medição de poluição quantificadas pelos efeitos de atividades antrópicas, qualidade de águas, emissões atmosféricas, e outras situações integradoras ou pontuais.
As metodologias de medição dos dados, operacionalmente são específicas ao objeto de análise - por exemplo, solos, clima, águas ou vegetação; mas há a exposição do projeto à continudade ou descontinuidade no conjuntos das respostas, usualmente associados a séries temporais (períodos): épocas do ano, dias, meses, safras, plantios, desmatamentos, demandas humanas, entre outros. Ou seja, podem existir respostas, em se tratando de eventos não-homogêneos ou de composição a variáveis não controladas, que traduzem respostas por assim dizer "nem sempre previstas".
Isso significa dizer que a análise matemática em dados ambientais é mais complexa? Assim, como se poderia definir uma partida confiável para a interpretação dos dados? Pode nos esclarecer sobre o tema com alguma exemplificação se achar pertinente.
Outro ponto, refere-se aos programas disponíveis e acessíveis. Para realizar uma simulação matematica de um conjunto de dados ambientais que programa é de melhor interface com o profissional ambiental. Ou indicação de bons e operacionais.
Ainda, voltando a compreensão para leigos, o que significa a modelação matemática dos dados ambientais; O entendimento está nos conceitos matemáticos básicos de "Funções"? A descontinuidade em função pode representar algum significado nas respostas ambientais?
Em um programa chamado Autocad, tem-se um ícone usado para os desenhos orgânicos, como curvas de níveis e elementos de relevo. Esse ícone é chamado de 'Spline'. O Spline é o significado para as descontinuidades, e se esse termo é sempre aplicável ou previsto em respostas dos comportamentos ambientais (pelo olhar da matemática)?."

R E S P O S T A --------------- por DRª. MARIANGELA AMENDOLA:

A identificação, o planejamento e o desenvolvimento de projetos que buscam o avanço de conhecimentos referentes a condições ambientais para fins de agricultura, quando conduzidos com o objetivo de fornecer suporte à decisão no momento de sua implementação sustentável, implica em observações, medidas e registros de informações - dados das variáveis envolvidas. Se por um lado, a identificação dessas variáveis, bem como a metodologia de medição das mesmas, requer a atuação exaustiva do especialista da área agrícola, a análise das mesmas requer o empenho de especialistas teóricos, seja da área de estatística-quando se quer avaliar o comportamento das variáveis-, seja da área de matemática aplicada-quando se quer prever o mesmo. Tal tipo de previsão pode se dar por meio da simulação numérica do processo originalmente descrito pelo especialista, o que significa seguir a seqüência de passos:

1) o reconhecimento ou a proposição do modelo matemático capaz de traduzir a descrição original do referido processo (o que significa reconhecer a lei física que rege a relação e o comportamento das variáveis envolvidas no processo, bem como a importância dos parâmetros associados, de modo a revelar um tipo de equação ou sistema de equações matemáticas que passam a caracterizar um problema matemático);
2) a identificação da metodologia matemática adequada porque capaz de resolver o referido problema;
3) a busca do algoritmo (a seqüência de contas a serem efetuadas numa certa ordem para se chegar à solução do problema);
4) o uso do algoritmo – caso seja simples; a implementação computacional do mesmo (elaboração de um programa a ser executado no computador) para posterior uso - caso não seja tão simples de “fazer à mão”; ou a busca de um programa computacional comercial disponibilizado – caso seja um processo já consagrado na literatura;
5) a execução do algoritmo;
6) a análise e interpretação dos resultados então obtidos, em especial pela comparação de resultados de problemas conhecidos ; e
7) o retorno a qualquer dos passos anteriores para adequação e confiabilidade dos resultados da simulação (validação).
Observa-se que os especialistas, ao descreverem e/ou divulgarem os processos que estão estudando, o fazem afirmando serem estes os de maior complexidade, o que pode ser atribuído ao seu conhecimento aprofundado do referido processo em detrimento do conhecimento de outros processos que desconhece.
Um exemplo-que se caracteriza como pioneiro na FEAGRI/UNICAMP por envolver interação entre especialistas da área agrícola, e teóricos da área de matemática aplicada e computação científica-, é o que se iniciou em 1999 e se encontra em Amendola e Souza (2007). Neste caso, a partir do processo de redução de poluentes em leitos cultivados, como originalmente descrito pelo então estudante Marcelus A. A. Valentin (o então especialista agrícola em água e solo), buscou-se na literatura um modelo matemático associado ao processo. Tal modelo mostra uma equação escrita para a variável associada à concentração do poluente (coliformes) que varia com o tempo e ao longo da direção longitudinal do leito; envolve a velocidade média do efluente e o coeficiente longitudinal de dispersão entre outros parâmetros como a constante de dispersão, o coeficiente de rugosidade de Manning, o comprimento e a profundidade do leito. Uma vez reconhecida esta equação como da classe de problemas matemáticos de “equação diferencial parcial de conveção - difusão –reação”, para a sua resolução foi elaborado um algoritmo composto de metodologias básicas da área de matemática aplicada. Implementado no ambiente de computação científica MATLAB, a execução do algoritmo resultou em informações que foram analisadas, comparadas com resultados conhecidos e permitiu simulações que levaram a conclusões sobre o processo, permitindo a sua previsão.


r E F e r Ê N c I a (s) B i b l I o G r à f I c A (s)


Amendola, M.; Souza, A.L. Investigação teórica do processo de redução de coliformes em leitos cultivados. Revista Brasileira de Engenharia Agrícola e Ambiental, v.11, n.6, p. 637-643, 2007.

Pesquisar também: Denis Miguel Roston - Prof. Dr. da Feagri/Unicamp para Leitos Cultivados ou Wetlands - também: Marcelus Alexander Acorinte Valentim.

Clicar sobre o título desta postagem.

Agricultura Sustentável - proposições



A importância do tema Agricultura Sustentável ganhou relevância e projeção mundial. Modelos de inovação tecnológica aliados a compreensões mais orgânicas, ocupam grande parte das discussões no tema. São postuladas algumas proposições ao sentido de buscar compreender o assunto. Algumas ponderações e questões para equipes de projetos em agricultura sustentável.

Um fato não se pode negar: "A necessidade de consultorias especializadas e opinões de técnicos com credibilidade para projetos adequados e sustentáveis". "As relações de investimentos e resultados podem ser agredadas por grupos de produtores, mas é preciso se difundir que os especialistas são fundamentais no processo de desenvolvimento sustentável" - Dica: Consulte um especialista! Faça uma análise das considerações:


-Isto pois, como podemos compreender a Agricultura do passado com as tendências atuais em Sustentabilidade. É possível pensar em novas formas para a agricultura, diante do fator irreversível das denominadas "demandas".
-Pensando no desenvolvimento tecnológico aliado aos sistemas de produção agrícola, o que é bom e o que é melhor na tecnificação, ou outras opções, se considerar oportuno nessa transição de século. Por outro viés, se pensando na linha divisória dos melhores efeitos do tecnicismo agrícola.
-Como tem sido essa transição para os modelos agrícolas sustentáveis? Os novos paradigmas são tendências a longo prazo ou uma necessidade mais imediata para os processos produtivos na agricultura, e onde se situam os critérios para a confiabilidade dos consumidores - relações na cadeia de consumo?
-Onde estão os espaços de agricultura sustentável no Brasil, o que são exemplos? Esta conceituação teórica e prática pode ser desenvolvida em todos os tipos de culturas? E a questão das demandas?
-Na lida diária como tem sido converter produtores convencionais para produtores sustentáveis ou prefere dizer orgânicos? Conte uma experiência.
-Qual a diferença entre Agricultura orgânica, Agricultura Biológico-Dinâmica e Agroecolologia - pensando nos termos ou se se pode traduzir todas as vertentes em Agricultura Sustentável?
-Como vê o processo de mecanização agrícola? Fale-nos sobre a relação solo-máquina-planta na dimensão de experiências?
-Nos processos de produção na agricultura, é substancial a presença do animal integrando a paisagem? Existe uma proporção da presença de animais no espaço agrícola, é possível mensurar, como deve ser esse conjunto? Vamos explicar sobre tendências para o Brasil e o que preconiza os instrumentos legais, lei de biotecnologia, ruralistas.... opiniões técnicas.
-Para velhos e novos produtores agrícolas, qual uma mensagem agronômica para a evolução da qualidade nos sistemas de produção, mercados, e formas de acesso a opiniões de especialistas, consultorias.....
-Importância da compreensão com elos de sustentação agrícola pela disponibilidade hídrica - aquíferos - Recursos Hídricos.
-O que tecnicamente é indispensável a um Engenheiro Agronômo, Agrícola ou Ambiental? (também em relação aos pequenos produtores).

A Figura ilustra o sucesso da agricultura orgânica no mundo. Crescimento este tão relevante para a saúde e qualidade de vida. A lógica interna dos processos agrícolas, então, mostra que se a produção aumentou assim, naturalmente porque há reposta nas demandas. Isso é o que se espera: alimentos mais saudáveis.

Referência
Clique sobre o título
Foto de http://static.hsw.com.br/gif/agricultura-organica-mapa.gif

Falando sobre projetos ambientais e sustentabilidade



Buscando-se uma associação intrínseca e técnica (desvencilhando-se frustações políticas e refutas aos novos paradigmas ambientais), associa-se nesta pauta, elementos sobre projetos ambientais estratégicos, tidos pelo Estado de São Paulo.

A Secretaria do Meio Ambiente do Estado apresenta que para a elaboração de uma agenda até 2020, considerou itens como:
- mudanças climáticas e os reflexos do aquecimento global na biodiversidade e economia;
- O conceito de Desenvolvimento Sustentável;
- A gestão eficiente do meio ambiente com resultados efetivos e transparência da ação.

Assim, São Paulo estima um total de 21 projetos a serem implementados, de forma descentralizada e com co-responsabilidade de:
- Municípios;
- Órgãos públicos;
- Entidades ambientalistas;
- Empreendedores da inicitiva privada;
- Entidades representativas da sociedade.

Os projetos envolvem temáticas como: Cenários ambientais 2020; Cobrança do uso da água; Desmatamento zero; Etanol verde; Unidades de conservação; Pesquisa ambiental; Licenciamento unificado; Município verde; Invesrtidor ambiental; entre outros.

Ao exemplo do Projeto sobre "Cobrança pelo uso da água" a meta é iniciar a cobrança em 14 das 21 Bacias Hidrográficas do Estado com prazo até Dezembro de 2010. Sendo os primeiros produtos o cadastro de usuários por bacia e campanhas de sensibilização.
Outro exemplo é sobre o "Licenciamento unificado" traçando metas como a regionalização do licencimento por UGRHI (Unidade de gerenciamento dos recursos hídricos)indo à implantação da Agência Ambiental da Cetesb, municipalização de parte do licenciamento e readequação da fiscalização. Os primeiros produtos são a distribuição das novas agências, revisão dos procedimentos de licenciamento, readequação da infra-estrutura e treinamento do corpo técnico.

Isso significa, tendo como referência as posições da Secretaria de Meio Ambiente de São Paulo, que novos instrumentos e mecanismos devem ser projetados para ampliar as respostas dos efeitos negativos sobre os recursos naturais.
Municípios, ecolas e sociedade civil tratarem suas agendas ambientais.
O resultado acumulado de impactos denota um saldo pesado e nocivo sobre as condições humanas - fisiográficas, fisiológicas, psicossocias.

Fiscalizar e punir são últimos efeitos das ações sobre o controle da poluição ambiental - não necessariamente os mais eficazes. Usando os modelos de quem explotou além de, os recursos naturais, o Brasil segue pelo caminho da 'punição', valorando inicialmente o dano ambiental ou mesmo tratando como bem de capital, serviços e cotas de volumes de água. Isso é uma realidade, não é utopia!

Nestes termos, vale muito mencionar a trajetória da Educação no Brasil, isto pois, sobre a Educação formal, profissionalizante e detendora de atribuir méritos de titulação e formação a tantas categorias de trabalho especializado. Ou seja, os profissionais que estão na dianteira da gestão (ambiental) oficial no Brasil devem ter alguma qualificação, assim como os novos profissionais que se inserem nos fluxos de trabalho e capital. Essa exigência tem sido pré-requisito.

Em 2009, em algumas palestras e encontros falando sobre Sustentabilidade e Recursos Naturais, ou mesmo sobre as relações entre trabalho e energia, verificam-se tendências interessantes sobre a continuidade do perfil em escolas de formação.

Como: detecta-se que a desinformação ambiental é uma lacuna a ser desenvolvida,dentro das disciplinas curriculares, não apenas como 'consciência' e falácias estatísticas, mas como método, como uma ciência transversal, científica e inerente aos PCN's.
Verifica-se grande interesse pelo conhecimento desta ciência por parte de profissionais em formação. Ainda que conscientemente receiosos, expressam reflexos projetivos indiretos, propensos a ações integradoras da questão ambiental.
Naturalmente, um histórico milenar ainda sustenta fortes efeitos sobre a necessidade humana de aceitação/resistência à proteção dos recursos naturais, bem como a capacidade em assumir essa nova condição - preservacionista (tão destoante do exemplo coletivo e particular à história dos núcleos sociais).

A isto, vale integrar outros pontos de vista, não apenas pelo viés da Educação - pelo ângulo de quem é formado, mas nesse caso, dos formadores. Como os formadores podem alcançar um estado de discussão sobre o tema Sustentabilidade? Como início. Para então, poder praticar nos seus métodos psicopedagócios, reações conceituais e práticas ao complexo tema ambiental.

Numa conversa pontual, nesta semanda, em uma discussão alcançada com uma professora que é Assistente Social (com formação psicossocial) e por fase de redação de sua dissertação de mestrado, foram observados diversos pontos realacionados à questão da Sustentabilidade, oportunamente muito interessantes, atuais e integradores da experiência diária no trato do tema "Futuro Sustentável".
Esta professora disse o seguinte - parafraseando e numa quase síntese (destacando a importância em que seria transcrever toda a discussão, aliás foi pedido a ela a elaboração do texto sobre):

"No desenvolvimento e aceitação à condição existencial, o homem passa inevitavelmente por três estados egóicos: um primeiro percebe-se no reconhecimento de planeta único, até à negativa percebendo a Terra ser parte de um sistema solar; um segundo está na teoria da evolução, assumindo pelas espécies um estado-condição de existência (Darwim); e por último, outra condição egóica é percebida nas próprias relações de poder, associadas e dicotomizadas dos ecossistemas integradores."
Esta síntese desenhada pela Professora é um sustentáculo para os diversos pontos e quesitos que derivam para a Psicologia Ambiental. Logicamente, a Sustentabilidade não é um tema científico a ser explorado, como legítimo, se não conseguir permear as distintas áreas do conhecimento. Inclusive a tecnologia e o tecnicismo.
Sem defender nem um campo científico nem outro.
Isto ao sentido da proposta de uma pausa, para formandos e formadores.

Outro profissional, Professor e Psicológo também alertou, baseando-se em Fêlix Guattari, para explicar sobre o que considera "As utopias necessárias".

Possivelmente, num mundo em que se privelegia o estado "egóico" de viver, a real Sustentabilidade pode brotar do que se denomina "Utopia Neessária".
Esse reflexão só pode assumir espaço nas escolas, se ao menos começarmos a falar sobre ela. Pensar já é um passo.
Para os formadores e formandos que ainda não conseguem falar sobre essas questões, não há problema. Por ser tão necessária, ainda haverá oportunidade para se pensar sobre isso.

"O nosso mundo local precisa compreender mais". Por vezes o existir é apenas cumprir tarefas burocráticas e autocráticas.
Falta oportunidade para o lúdico, para o processo criativo. Para o desenvolvimento do senso de respeito ao contíguo espaço material e imateiral.

Ou, como inicia-se a postagem, os próprios efeitos fiscalizadores e punitivos do arranjo institucional de gestão (ambiental), criarão lacunas da "sintomalogia", indo a teoria de pensamentos sistêmicos e reações sobre o inconsciente coletivo.
Isto mesmo, já se pode perceber, em manifestações sobre algum consciente individual.
Não deixa de ser um campo de partida.

Aos que pensam sobre o tema Sustentabilidade nosso solidário desejo de comunhão.
Sempre buscando novas propostas em projetos ambientais, reflexões correlatas e necessárias.
Aos que ainda não estão no estado de consciência sustentável, nosso papel de educadores e formadores, valoriza-se.

Alguns Agradecimentos: À Assistente Social e mestranda em Psicologia e, ao Psicólogo - ambos professores e amigos de calorosas conversas sobre o estado humano de existir. Ponderações tão enriquecedoras no árduo cotidiano em que só se quer "cotidianiar".

Nota: A Figura mostra a importância da escala de referência tida na Bacia Hidrográfica. Formar, na atualidade, é tornar possível compreender, ao menos, que o homem produz ou desenvolve para o outro, à qualidade de sinergia nesse (s) espaço (s). Podendo a partir disso, sim, traduzir melhor, também, seu próprio espaço (mais) local.
Não tornar possível essa compreensão, é adiar na oportunidade da profissionalização, o inevitável pressusposto que se considera "qualidade de vida" (na ação do trabalho). Mesmo que o princípio egóico "felicidade é tratar o homem como o centro do universo", ainda, homeopaticamente, perdure por tempos ainda.

O BRASIL "institucionaliza" o crime ambiental na Amazônia?




Brasil, 05 de Junho de 2009

"O Brasil é um país cheio de árvores e de gente dizendo adeus!"

É preciso repensar nossos "projetos ambientais".
Projetos ambientais como uma agenda, um conjunto de ações a serem institucionalizadas e praticadas diariamente, em quatro anos ou em uma vida.
No caso da Amazônia, trata-se de um patrimônio dos brasileiros.
Assim, "instituir" a grilagem de terras, ou sustentar a ocupação por empresas particulares e internacionais e "destituir" a tutela ambiental, preventivamente, à conservação de um contexto ambiental fundamental, é indiscutível.

O avanço cognitivo (humano e) político mostra, aos brasileiros, sua decadência em favor do meio ambiente, neste Junho de 2009. Na década de sessenta e setenta, o processo de poder econômico já sabia o que eram impactos, devastação e destruição. O mundo já dava exemplos desse processo.
Não se pode atribuir a destruição ao desconhecimento causal de efeitos, ou mesmo de ingenuidade, sobretudo nesse avanço do século XXI.

nesta data, a própria ex-Ministra do Meio Ambiente - Marina Silva - desabafa: "A aprovação da Medida Provisória (MP) 458/08, semana passada, no Plenário do Senado, foi o terceiro momento mais triste da minha vida. O primeiro foi quando, ainda adolescente, perdi minha mãe, duas de minhas irmãs e meu tio, num curto espaço de tempo. O segundo foi quando assassinaram Chico Mendes. Agora, meu luto é pela Amazônia."

O luto é nosso.
Nosso é o prejuízo.
Nossa é a refuta à oportunidade única de se consolidar uma república sustentável.
Nosso é o exemplo da institucionalização do crime (ambiental).
Ao magno corpo representante do Senado 'nosso distinto silêncio amarelo'!

Ausência de sorrisos brasileiros, nesta semana de meio ambiente, em 2009.

O 'Humano' não alcança uma evolução cognitiva. Ao contrário. Rebela-se, empunhado contra a natureza, como quem ainda ameaça e tortura, possivelmente ao rancor ancestral de quem não comunga em favor de projetos ambientais difusos; sinais de coronelismo doente.
O país do futuro, chora.

Um estado punitivo contra si. Uma débil e esquisofrênica '(contra)forma de legislar'. Aliada ao recente episódio das terras contíguas indígenas. Tratando o índio dissociado do processo, recriando novos métodos de demarcação epacial, ou aos brasileiros, como outra raça.
Todos somos brasileiros e naturalmente miscigenados dos índios.
Perde-se no Brasil, o sentido existencial 'do natural', resultado da sua própria geografia e patrimônio. ("o espelhinho em troca de ouro...")

Já disse, em algum momento, o poeta:
"As vezes parecia que de tanto acreditar
em tudo que achávamos tão certo
teríamos o mundo inteiro e até um pouco mais
faríamos florestas no deserto e diamantes de pedaços de vidro"

Apologia aos sorrisos brasileiros para o Senado. Feridos. Marcados de pranto!

"A MP 458, que está nas mãos do presidente Lula, vai regularizar a posse de 67 milhões de hectares de terra na Amazônia, um patrimônio nacional superior a 70 bilhões de reais, considerando apenas a terra nua. O problema é que, a título de legalizar a situação dos pequenos agricultores, dos posseiros de boa-fé, cujos direitos estão salvaguardados pela Constituição, os maiores beneficiados serão os grileiros, aqueles que cometeram o crime de apropriação de terras públicas e estão por trás da exploração fundiária irregular, da violência e do desmatamento ilegal. "

Ver a reportagem com a ex-Ministra (clicar no título).
A legitimação do trágico e irresponsável destino ambiental do Brasil.
Construído por todos nós!
(http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI3813710-EI11691,00-Nas+maos+do+presidente.html)

Excertos de uma correspondência incompleta ou “O Brasil é uma República Federativa cheia de árvores e de gente dizendo adeus” (*)
Encontra-se em outro Blog,o seguinte texto (citado abaixo):

"A minha geração, que viveu a adolescência durante os anos 90, sempre teve plena consciência disso e, ao mesmo tempo, desiludiu-se rapidamente com relação a qualquer mudança (…). vivemos o finalzinho da Ditadura, o trágico governo Sarney, o patético governo Collor, o tolo governo Itamar, os previsíveis governos FHC e, agora, sofremos (com) o populismo irresponsável de Lula. Eu escrevi um romance inteiro sobre como as pessoas com quem cresci e convivi sequer conseguiam sentir raiva dessa ausência de perspectivas. Quando sentíamos raiva, não sabíamos muito bem o que fazer com ela e acabávamos direcionando-a a nós mesmos. (…) A idéia de um país, aqui, escafedeu-se há muito, muito tempo, ou sequer esteve presente."

(*) Oswald de Andrade, não?


(http://vicentemiguel.wordpress.com/2009/03/27/excertos-de-uma-correspondencia-incompleta-ou-o-brasil-e-uma-republica-federativa-cheia-de-arvores-e-de-gente-dizendo-adeus/)

Ver também:
http://ofca.com.br/artigos/2008/05/28/280508-amazonia-brasileira-ate-quando/

Nosso lamento, nossa perplexidade, nossa insegurança, nossa querida vontade de sorrir no Brasil, nesta semana mundial de meio ambiente.......

E n t r e v i s t a: Prof. Dr. Carlos Roberto Espindola - autor do livro 'Retrospectiva crítica sobre a Pedologia' fala sobre a publicação



Autor do livro Retrospectiva crítica sobre a Pedologia - Um repasse bibliográfico - O professor e pesquisador Dr. Carlos Roberto Espindola - Engenheiro Agrônomo pela ESALQ/USP, Pós-Doutor pela 0ffice de La Recherche Scientifique Et Technique 0utre Mer ORSTOM - França, Livre docente pela Unesp, e, atualmente, Assessor do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza e com atuação na Pós-Graduação do Curso de Geografia da Unicamp, é uma das grandes autoridades brasileiras em Qualidade de Solos Agrícolas. Após o lançamento do tão esperado "Retrospectiva crítica sobre a Pedologia" em 12 de Março de 2009 na cidade de Campinas-SP, com menção honrosa do Prof. Emérito José Pereira de Queiroz Neto da USP, o livro foi noticiado na coluna da Mônica Bergamo da Folha de São Paulo (13/03/2009) e é uma leitura fundamental a professores e pesquisadores na área de solos. O Prof. Espindola, nos dá a honra de uma entrevista especial para o blog Projetos Ambientais, postada(com a liberdade) em nome de seus alunos da Geografia e todos os ex-alunos da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp, não só pela oportunidade sólida do aprendizado ilimitado sobre a pedologia, solos e meio ambiente, mas sobretudo pelo educador humano, professor desafiador à leitura científica, incentivador perspicaz a novos projetos e homem humano diante das dificuldades inerentes ao processo de convivência e aprendizado natural a qualquer aluno; neste caso, 'discípulos'. Para adquirir o livro: vendas@editora.unicamp.br ou clique sobre o título da postagem.

O livro e maiores informes, também podem ser obtidos diretamente com o Prof. Dr. Espindola: carlosespindola@uol.com.br

A entrevista foi realizada via internet e apresentada pelo Prof. Dr. Carlos Roberto Espindola em 10 de Abril de 2009.


E N T R E V I S T A . . . . . . . . . . . .

Projetos ambientais: "Retrospectiva crítica sobre a Pedologia", o que significa o resultado apresentado neste livro?
Prof. Espindola: Muitos anos arquivando conhecimentos sobre o assunto, com o intuito de repassá-los para os que militam na área de Solos.

Projetos ambientais: É uma leitura acessível a leigos nessa temática? Como podemos compreender o significado de 'Pedologia'?
Prof. Espindola: Muitos leigos poderão compreender diversos aspectos tratados no livro, embora possam achar cansativo quando aborda dados históricos da Pedologia, que ganhou essa denominação derivada do latim, significando Ciência do Solo (pedon=solo). Ela trata do estudo sistematizado do solo principalmente no que concerne a sua origem, desenvolvimento, descrição no campo e laboratório, classificações e distribuição geográfica. É básica para o estudo da fertilidade do solo, adubação e nutrição de plantas, irrigação e drenagem, aplicação de resíduos, conservação e planejamento agrícola. Atualmente tem tido grande incremento com possíveis soluções para os problemas ambientais.

Projetos ambientais: Qual foi a partida para a elaboração do livro? Fale-nos um pouco da sua história.
Prof. Espindola: Há uns bons anos (1982) surgiu a intenção de se produzir um livro de "Gênese, Morfologia e Classificação se Solos" pela Sociedade Brasileira de Ciência do Solo, quando esta era ainda sediada em Campinas. Após diversos entendimentos com os possíveis autores de capítulos, fiquei encarregado de preparar 3 (três) deles. Foi do capítulo introdutório, que escrevi por inteiro (o livro nunca chegou a ser concluído) que, anos depois, veio-me a inspiração para fazer o livro, ampliando bastante o antigo conteúdo. Nesse sentido, muito da trajetória contida no livro acompanha a minha própria trajetória na vida acadêmica, as dificuldades encontradas e as experiências acumuladas.

Projetos ambientais: O resultado do livro "Retrospectiva crítica sobre a Pedologia", na essência da sua compreensão, contesta a bibliografia convencional no tema 'solos'? Pode nos explicar?
Prof. Espindola: Não. Não há propriamente contestações, mas críticas julgadas de boas intenções em relação a certos aspectos que ficam a desejar numa ciência tão nobre como a Pedologia, que merecem ser revistos e rediscutidos pela comunidade envolvida no assunto. Algumas dessas críticas eu já as fizera em outros momentos, quer em palestras, como em cursos e eventos científicos, mas sem atingir os objetivos, talvez por serem julgados de pouca relevância. Quem sabe na forma de livro, também com o "crivo" dos alunos, normalmente muito poucos nos eventos com grandes platéias, possa ser dada alguma importância aos mencionados aspectos.

Projetos ambientais: Especialmente para pesquisadores, qual o ponto chave a ser revisto no que concerne a caracterização, avaliação e planejamentos experimentais em solos tropicais diante da bibliografia convencional?
Prof. Espindola: Para os pesquisadores consagrados ou experientes, não vejo grandes "revisões", conforme termo usado pelo entrevistador; se algo houver, nesse sentido, acredito que possa ser feito no campo da classificação taxonômica, desde que aceitas as ponderações por mim utilizadas. Para os recém-pesquisadores, como os pós-graduandos, vejo, sim, grandes possibilidades de ampliação no conhecimento da bibliografia envolvida, dado o vasto número de autorias mencionadas no texto. Daí o subtítulo -"um repasse bibliográfico", contendo uma ambiguidade, já que o repasse pode ser tomado em duplo sentido: repassar a bibliografia pode dar idéia de levantar tudo o que existe sobre algo, e, ao mesmo tempo de passar para a frente esse universo.

Projetos ambientais: Qual sua expectativa quanto a agregar o conteúdo do livro na dimensão de ENSINO em escolas com disciplinas sobre solos?
Prof. Espindola: É o meu maior sonho, na condição de professor que fui a vida inteira. O trabalho com o aluno é tão estimulante e exige tanto de nós, que precisei aposentar-me para ter tempo de colocar no papel (ou no computador) todo o "acervo" considerado pertinente.


Projetos ambientais: Na sua visão pós escrita e lançamento do livro, como transmite 'a produção de novos conhecimentos' sobre solos, dentro da realidade geográfica brasileira?
Prof. Espindola: Acredito que isso já seja feito de maneira adequada nas diversas regiões fisiográficas brasileiras, posto que temos excelentes professores distribuídos pelo País, além de muito mais facilidades de busca de conhecimentos do que há alguns anos. Muitas teses e artigos científicos ficam disponibilizados pela Internet, senão as próprias bibliotecas, facilitando o acesso a publicações diversas. Isso garante, ou, pelo menos, facilita muito o que está contido na pergunta "a produção de novos conhecimentos". Espero ter respondido realmente o que a questão propunha.

Projetos ambientais: O que foi desenvolvido dentro da perspectiva convencional, na produção de ciência em solos, confronta em que realidade com o atual "Retrospectiva crítica sobre a Pedologia" de sua autoria?
Prof. Espindola: Confronto, propriamente dito, é um termo muito forte, podendo sugerir uma resposta pretensiosa, que eu gostaria de abrandar. Um desses aspectos em que empreguei bastante ênfase foi na questão do conceito de certas camadas genéticas do perfil do solo - os horizontes. Outro foi o conceito atribuído a grau de desenvolvimento de um solo, que pode levar um solo bem desenvolvido, sob meu ponto de vista, a ser considerado um solo pouco desenvolvido (um Neossolo).

Projetos ambientais: Numa visão pedagógica e como um dos titulares na reestruturação do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Engenharia Agrícola da Unicamp, o que muda em conceito e aplicação, diante da transformação de um 'Departamento de Água e Solo' para uma "Área de concentração em Água e Solo" (como exemplo a estrutura departamental)?
Prof. Espindola: O Departamento tem uma finalidade organizacional, procurando reunir pessoas em torno de áreas de conhecimento compatíveis, com o objetivo de facilitar procedimentos administrativos. São inúmeros os casos, em várias instituições, em que essa reunião em áreas acaba não funcionando muito bem, pois estão aí envolvidas personalidades muito distintas, procedimentos variados, simpatias, antipatias etc. Na realidade, isso tem grande peso, o que quer dizer que nem sempre uma restruturação vista por alguém de fora resulte em grande sucesso. Mas uma "área de concentração" pode ser constituída por pessoas de departamentos distintos, dependendo do seu grau de abrangência de conteúdos. "Solos", por exemplo, é muito importante para práticas de manejo, em geral, ou para irrigação, em particular. Diagnosticar uma compactação é tão importante para uma área de Água e Solo, como para Mecanização Agrícola.

Projetos ambientais: Tendo como exemplo o ensino e produção científica em 'solos', por que caminho podem avançar centros emergentes diante das escolas clássicas e de excelência do Brasil? Por que as escolas particulares e emergentes são tão resistentes a pesquisa de qualidade?
Prof. Espindola: Creio que o problema central é o envolvimento com a pesquisa, que faz avançar o ensino e a produção científica mencionados na pergunta. As chamadas escolas clássicas contratam profissionais com dedicação intensa às atividades afetas, ou seja, com muitas horas de trabalho semanais, senão integralmente, e até com dedicação exclusiva. Se isso não ocorrer, não se pode esperar muito com relação a pesquisas de qualidade. O mesmo raciocínio vale para os consagrados institutos de pesquisa, como o Instituto Agronômico, ou o Biológico, ou o Florestal etc.


Projetos ambientais: O senhor acredita que os pesquisadores convencionais irão rever suas tendências nas linhas de pesquisa sobre 'solos'?
Prof. Espindola: Parece-me que "pesquisadores convencionais", aqui, estão sendo considerados os antigos. É isso? Procurei mencionar todos esses antigos que ajudaram a escrever a nossa história em Pedologia. Muitos já estão totalmente afastados dessas preocupações; outros, acho que dificilmente irão querer mudar seus pontos de vista e, muito menos, suas linhas de pesquisa, conforme a pergunta enseja. Agora, existem também pesquisadores convencionais jovens, incluindo professores, que são, no meu modo de ver, os mais propensos à reconsideração de certos conceitos, mas isso não chega a atingir o que está sendo colocado como "linhas de pesquisa". O livro não tem, por certo, esse poder nem essa finalidade. Ele não passa, afinal, de "um repasse bibliográfico". Diga-se, de passagem, que gosto mais do subtítulo do que do título.

Projetos ambientais: Gostaria de deixar uma mensagem para novos pesquisadores em solos tropicais?
Prof. Espindola: Vamos colocar aqui como "novos pesquisadores" os pesquisadores propriamente ditos (de instituições de pesquisa), que estão começando suas funções, mas também os novos professores e alunos de pós-graduação. A esses, seria interessante a idéia do emprego de uma linguagem mais facilmente assimilável do que a que tem sido usada quando a pesquisa é dirigida a um público pouco familiarizado com a Pedologia. Os solos tropicais já trazem, de per si, muita complexidade e, em prol de uma melhor comprensão, isso deve ser atenuado; nesse processo, a linguagem é de fundamental importância. Um levantamento pedológico, por exemplo, em geral é feito com uma finalidade específica (planejamento agrícola, restrições ao uso de certas áreas etc). O mapa ou carta de solos deve ser acompanhado de um texto cuja linguagem seja a mais comprensível possível, de forma interpretativa. Um nome como Latossolo já, por si só, pode causar incômodos a certos usuários. A mensagem a deixar, como suscitado na pergunta, se necessária for, é a de que os nossos solos tropicais sejam tratados pelos novos pesquisadores com muito carinho e respeito, pois muitos deles advém de uma longa e penosa história, de escala geológica do tempo, já tendo passado por inúmeras vicissitudes. E mesmo os solos mais jovens não ficam livres das tentações devastadoras do único ser animal que povoa o Planeta e é capaz de prejudicá-lo pensando apenas no seu próprio proveito - o Homem.