instituto projetos ambientais, em revista

Gestão da qualidade das águas em Bacias Hidrográficas



A qualidade da água em Bacias Hidrográficas é tema da maior relevância para profissionais da área ambiental e para identificação do controle da qualidade do ambiente, como para o mais nobre dos usos que é o consumo humano de água. Naturalmente 'a qualidade da água' é assunto de primeira ordem nos dias atuais, sempre foi, especialmente pensando na qualidade de água que consumimos e que deve atender a padrões de potabilidade.
O objetivo é apresentar 'noções' sobre qualidade das águas em Bacias Hidrográficas, sendo, as águas, (um dos melhores) indicadores ou elementos de caracterização da qualidade do ambiente, da saúde ambiental, então para os usos múltiplos pelo respectivo enquadramento dos corpos d'água.
A saber, Bacia Hidrográfica é uma área delimitada de drenagem, onde o escoamento ocorre dos pontos mais altos (divisores de águas) em direção aos pontos mais baixos (mananciais).
No Brasil, desde 1997 o gerenciamento dos recursos hídricos está fundamentado na Política Nacional de Gerenciamento dos Recursos Hídricos (chamada Lei das Águas - Nº. 9.433). Uma legislação inovadora, trazendo para nossa realidade tropical mecanismos e organismos totalmente novos, de fato inovadores. A exemplo da formação de colegiados como os "Comitês de Bacias Hidrográficas". Também a cobrança pelo uso da água (em volumes) e toda uma estrutura própria para as águas ou recursos hídricos tida na criação (em 2000) da Agência Nacional de Águas - ANA.

O conceito de água pura se relacionada diretamente à finalidade de seu uso, sendo a água potável (no caso de consumo humano): toda substância líquida, insípida, incolor e inodora atendendo aos padrões de potabilidade (no caso do Brasil estes padrões estão em Portaria 518 da Anvisa). Para complementar, se define como água doce aquela com teor de Sólidos Totais Dissolvidos (STD) 1.000 mg/L.

A qualidade das águas é verificada pela medição ou identificação de valores quantificáveis de caracterização analítica da água - medições que podem acontecer em campo ou colhidas amostragens de águas (com devidos cuidados para cada parâmetro) e realizada a análise em laboratório próprio ou especializado. Atendendo a metodologia adequada, fudamentada no Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater. Existem aparelhos que identtificam alguns parâmetros diretamente e de forma imediata no campo, com equipamentos portáteis ou sondas próprias, com sensores específicos para distintos parâmetros de qualidade de água.

Para melhor entender os parâmetros de qualidade das águas são classificados em: físicos, químicos, biológicos e radiológicos. Encontra-se também a expressão "parâmetros físico-químicos" (da água), esclarecendo que em várias bancas examinadoras (pesquisadores) discutem e concordam que 'físico-químico' é outra coisa; sendo assim melhor tratá-los como na classificação apresentada (físicos ou químicos).

Um plano de amostagem de águas em uma Bacia Hidrográfica, se possível, deve ser o mais abrangente possível em concordância com as formas de ocupação da Bacia em estudo e elementos da paisagem desta mesma Bacia Hidrográfica. Hoje, trata-se por "Gestão Integrada e Participativa das Bacias Hidrográficas" - já que os colegiados gestores (Comitês de Bacias) devem aportar representantes (profissionais, atores) dos segmentos usuários de águas.

A lógica do poder considera como "Recurso Hídrico" ou Blue Water Flow - parcela de água que flui visível pelos rios, mananciais. Assim, então pode-se também estudar ou avaliar trechos de Bacias Hidrográficas, ou seja, mosaicos da Bacia Hidrográfica delimitada, normalmente quando não se tem recursos ou mesmo existem interesses mais pontuais de compreensão. Para entender melhor a ocorrência e circulação de água em uma Bacia Hidrográfica deve se usar e estudar conceitos da ciência Hidrologia - a partir do ciclo hidrológico.

O Ciclo Hidrológico numa Bacia Hidrográfica qualquer, pode ser expresso de forma simples pela equação seguinte: P = Etp + R + I ; onde P=quantidade de chuva, neblina ou neve que cai da atmosfera na Bacia Hidrográfica (mm/ano), Etp=quantidade de água que volta a atmosfera na forma de vapor (processos de evaporação e evapotranspiração), R=quantidade que escoa pelos terrenos, e, I=quantidade total de água que infiltra no subosolo

 Assim, ao percorrer o ciclo hidrológico a água, como substância da mais alta solubilidade, incorpora a si características que alteram sua qualidade; como por exemplo, ao infiltrar no solo, assume características do perfil geológico que atravessa, que percola. As medições da qualidade da água em uma Bacia Hidrográfica podem ser de águas superficiais e de águas subterrâneas. Por isso é importante também combinar estudos envolvendo água e solo, ou seja, a Hidrogeologia. Também existem as interferências antrópicas, ou seja, ações humanas, efeitos ou impactos resultantes de descargas industriais, urbanas, agrícolas. Numa Bacia Hidrográfica também existem retiradas de águas para diferentes finalidades, e isso pode afetar a qualidade da água. Um exemplo, está na diferença ao realizar uma descarga de efluentes num rio de pequeno porte (baixa vazão) ou realizar essa mesma descarga em um rio de grande porte (alta vazão). Efeitos de diluição eram esperados na reformulação da Resolução Conama 20/1986 , mas não constam da Resolução 357/2005.

Vazão é o volume de água que atravessa um perfil (seção no rio) do manancial por unidade de tempo (L/s; m3/dia). Logo quantidade e qualidade estão diretamente relacionadas. Ou mesmo uma comparação atendendo a uma série temporal - comparação entre períodos de chuvas e período de estiagem. Os rios que recebem as mesmas descargas de poluição podem ter pior qualidade nas secas quando a vazão é bem mais baixa e consequentemente maior a concentração dos poluentes. Mas isso nem sempre é assim, tomando como exemplo a turbidez (que é um parâmetro físico de qualidade de água = resistência na água à passagem de luz, efeito de 'opaca'), que nos períodos de cheias tende a ser mais elevada pois há maior carreamento de partículas de solo com o escoamento superficial das precipitações.

A Gestão da Qualidade das Águas atende a combinação de elementos da Lei 9.433 de 1997 e com destaque para um de seus mecanismos - são seis. Um deles é o enquadramento dos corpos d'água que é balisado pela Resolução 357/2005 que substitui a Resolução Conama 20/1986 (importante compreender a evolução desses instrumentos legais). Outros mecanismos já reais para o Brasil são: cobrança pelo uso da água; outorga de direito de uso (captação e lançamentos); planos de bacias hidrográficas; sistemas de informações e compensação a municípios.

Então no gerenciamento das águas se pode, por exemplo, ter projetos em:
- Outorga de direito de usos das águas (se usando cálculos de disponibilidade hídrica, coeficientes de retorno, vazão crítica, etc.)
- Planos de Bacias Hidrográficas - documento gerencial do controle da qualidade e quantidade de águas dentro da alçada de uma bacia hidrográfica.
- outros - usa-se a terminologia "produção de água" em revitalização de nascentes, cabeceiras de mananciais indo aos projetos industriais seja em outorga de uso seja no controle da poluição qualitativa da água. Um campo de estudo e trabalho bastante amplo, complexo e com poucos profissionais especializados. Naturalmente demandas de trabalhos em projetos de alta complexidade exige em contrapartida profissionais e equipes altamente especializados - sobretudo em casos de comprometimento de águas que afetam os usuários.

As formas de usos da água podem estar classificadas em:
- Usos consuntivos = uso da água alterando seu volume (irrigação)
- Usos não-consutivos = uso da água não alterando seu volume (geração de energia elétrica)
- Usos locais = uso da água de forma pontual ou própria (como a conservação da biodiversidade e manutenção da vida)

Usa-se também termos como "bens de pedágio" (no caso de transporte hidroviário) ou "de valor estético e moral" (no caso de manutenção da vida). Vale analisar os materiais citados abaixo.

O tratamento no gerenciamento da água e sua qualidade dependem da disponibilidade quantitativa, indo à equidade horizontal e equidade vertical. Ex: no caso de usuários que podem pagar pelo volume usado e outros que não como moradores de favelas e invasões. Portanto para a questão da cobrança pelos recursos hídricos, por exemplo, há que se considerar as desiguladades sociais e a questão de acesso ao recurso.
Portanto, o gerenciamento das águas é tido como questão de "abordagem sistêmica" ou seja de alta complexidade.

Para se criar uma rede de monitoramento e controle da qualidade da água em uma Bacia Hidrográfica se deve partir das condições e recursos para a continuidade na produção de um banco de dados, escolhas dos pontos de amostragem, relação entre pontos e paisagem, acessibilidade aos pontos de amostragem, combinação com medição de dados fluviométricos e fatores específicos de interesse do plano de monitoramento (como descargas específicas, outorgas, efeitos de poluição difusa). Logo, estudos mais aprofundandos devem ser exercitados para profissionais com interesse no tema.
Como aprendizado e baseado no valioso trabalho do Prof. Dr. Marcos Von Sperling (Livro: Introdução a qualidade das águas e ao tratamento dos esgotos, Ed. UFMG, 2005) vamos tratar uma questão que foi aplicada em um provão/exame nacional para engenheiros. É tema de cálculo de poluições e relações com a qualidade das águas em rios, ou bacias hidrográficas. A problematatização:

"Um restaurante deseja se instalar em um parque municipal e irá produzir 500 refeições/dia, os efluentes do restaurante serão lançados em um córrego do parque que possui uma vazão de 40 L/s. Sabe-se que o esgoto produzido é de 25 L/refeição. O parâmetro adotado (mínimo) como controle é a DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) - é um parâmetro químico de qualidade da água, que estima a quantidade de oxigênio que é requerida para estabilizar por meio de processos bioquímicos a matéria orgânica presente na água, ou melhor, no esgoto nesse caso (é que 99,98 ou quase isso do esgoto é água). A unidade da DBO é mg/L (massa por volume de água). Sabe-se que o córrego possui uma DBO real devida a outras descargas de 9,6 mg/L e admite uma DBO máxima de 10 mg/L (para isso ver a Resolução 357/2005). Nesses termos, o restaurante poderá lançar seus efluentes sem tratamento? Ou deverá tratar seus esgotos"? Sabe-se que Carga DBO (Kg/dia) = Concentração (mg/L) x Vazão (L/s).
Dica: calcule a carga que o restaurante produz e a carga que o córrego suporta; então é comparar.

Esse tipo de estudo deve ser base para cálculos de poluição, produção de diagramas unifilares de rios e estudos em qualidade de águas em Bacias Hidrográficas ou trechos de.
Nota: As imagens iniciais da postagem remetem a compreensão por Sensoriamento Remoto de áreas de Bacias Hidrográficas com identificação clara de bordas de cidades ou áreas urbanizadas - integrar Gestão de Bacias Hidrográficas x Legislação recursos hídricos x Engenharia de Recursos Hídricos (Gestão Municipal).

Para complexar um pouco, no efeito da gestão, podemos inserir a questão das águas subterrâneas em Bacias Hidrográficas, que também sofre efeitos de impactos na sua qualidade e, também quantidades. Hoje já é critério na gestão integrada, que tanto para produção, monitoramento ou injeção (recarga) ou reuso, já não existe aquífero profundo ou inacessível. Existe também o conceito de substituição de fontes = Conceito formulado pelo Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (1985) "a não ser que exista grande disponibildiade, nenhuma água de boa qualidade deve ser utilizada para usos que toleram água de qualidade inferior".

Devido a falta de controle - Federal, Estadual e Similares - na extração, explotação, recarga ou monitoramento da água subterrânea não se tem uma avaliação segura (ex. nº de poços perfurados). Dados da Unesco apontam cerca de 250 milhões de poços em operação constante em todo o mundo (transição década 90 para século XXI); 10% são no Brasil. Em São Paulo são 15.000 poços perfurados a cada ano. A legislação brasileira da autonomia aos Estados para controle de águas subterrâneas, entretanto câmaras técnicas são criadas em Comitês de Bacias Hidrográficas.

Assim incrementar a Gestão Integrada com novos cálculos de poluição, como por exemplo de uma indústria alimentícia que capta água subterrânea, que localizada ao lado de um grande posto de gasolina que foi exposto a vazamentos contínuos detectados em período com dificuldade de estimativa temporal. Como proceder? As políticas públicas estão contemplando isso? Envolve o tema 'gerenciamento de áreas contaminadas?.  Como elaborar um programa de Gestão de Bacias Hidrográficas em conssonância com as realidades municipais ou outras referências espaciais.

Integrar qualidade X quantidade é uma das linhas como menos pesquisas nestas e associações entre ainda são incipientes dentro da dinâmica comportamental da água. O que poderia se designar quali-quantitativo.

Logo, outras ciências se combinam a questão da qualidade da água em Bacias Hidrográficas, como o Planejamento Ambiental, que insistentemente temos associado às aulas e questões na formação de profissionais. Claro, também, compreender a Ecologia, a Gestão de Recursos Hídricos, Gestão de Bacias Hidrográficas ou mesmo Egenharia de Recursos Hídricos como nichos profissionais, novas dimensões em demandas.
É recomendado também leitura do material do Prof. Dr. Eduardo Lanna, do Sul, buscar por 'Economia de Recursos Hídricos', resultado da sua disciplina e sempre recomendado para concursos como os da Agência Nacional de Águas. Vale saber que compreender a qualidade da água, é entender a dispersão de partículas sólidas, dissolvidas e coloidais, na água. E em Bacias Hidrográficas contextualizar a paisagem, como a contextuzalização de Santos (2004) onde compatibiliza a comparação: Por que Bacia Hidrográfica? Por que não Bacia Hidrográfica?

Outros trabalhos e papers podem ser econtrados junto a pesquisadores/profissionais por universidades e institutos especializados no tema Recursos Hídricos.
Podendo entender que a qualidade das águas, então, é fortemente influenciada pelo ordenamento territorial e pela questão fundiária. Contextos 'hidrogeopolíticos" são emergentes na adequação da realidade de uso do espaço junto aquele gerenciamento que é próprio dos Rercursos Hidricos.

Nota 1: Nessa postagem se faz referências a imagens obtidas em http://www.phd.poli.usp.br/cabucu/fotos.htm - projeto da usp, que de forma didática ilustra uma região de confronto do ambiente natural versus o ambiente antropizado - vindo de uma escala com menor grau de detalhamento até a demarcação de pontos na segunda imagem e apresentação na terceira imagem de um zoom em escala com . O uso do geoprocessamento neste trabalho da Usp, mostra claramente o que já estavámos realizando desde 1998, no projeto Paulínia, associando ainda as formas de zoneamento municipal. Mas aqui com o foco nas Bacias Hidrográficas.

Nota 2: O site da Agência Nacional de Águas - ANA junto ao Governo Federal é um ponto importante para acompanhar as evoluções na legislação e a operacionalização dos Comitês de Bacias Hidrográficas (CBHs) já instalados em toda a divisão hidrográfica brasileira.
Esse post é apenas uma base da extensão do tema hídrico, que acabou se firmando como um universo próprio dentro das ciências ambientais, tendo, as águas, princípios específicos, conceitos, tecnologias e todo um aparato pertinente às águas.

Ficamos nessa! (e não esqueça de tomar muita água: boa claro!)



O que você entende por Desenvolvimento Sustentável? - Enquete 2010



O Blog 'Projetos Ambientais' é um sítio onde se pode discutir e obter elementos para a elaboração e desenvolvimento de projetos na área de ciências ambientais.
Foi criado com o objetivo de cambiar experiências e sugestionar bases que possam estruturar projetos minimizando erros e associados ao mercado profissional, assim como ao uso preponderante da ciência e do método científico.

Nestes poucos anos de existência o Blog abordou temas em matérias como:
- agricultura sustentável;
- planejamento ambiental;
- gerenciamento de áreas contaminadas;
- psicologia ambiental;
- elementos de projetos ambientais;
- outros.

São envolvidas notas de aulas nas postagens.
Outras vezes são elaboradas entrevistas com especialistas.
No rodapé se tem um elenco de livros sugstionados para profissionais em meio ambiente.
Em 2010 foi produzido um curta documentário especialmente para o Blog, como uso de linguagens de comunicação para a questão ambiental.
Possivelmente ainda faltam bases conceituais e outros temas inerentes a extensão do tema ambiental.

No ano de 2010 repetimos a enquete de 2009, com maior controle das opiniões.
Foram duas perguntas e aí está o resultado.

E n q U e T e   2 0 1 0

O que você entende por Desenvolvimento Sustentável?

= do total de 16 votos 8 escolheram a seguinte resposta:
"- Usar a natureza sabendo que seus recursos não são infinitos."

Sobre o que mais gostaria de saber?

=  do total de 14 votos:
"- Planejamento ambiental ( 5 votos )
- Novas Metodologias (5 votos ) ou tendências em meio ambiente."

Os leitores  e visitantes estão afinados com tema ambiental, e dentro da complexidade da terminologia "Desenvolvimento Sustentável" foram em cheio no ponto em usar a natureza sabendo que os recursos não são inesgotáveis ou infinitos.
Esse é um ponto crucial na questão da sustentabilidade e acredito em diversos outros pontos da vida e do homem diante do mundo. "A inesgotabilidade dos recursos" em complementar à "maxibilidade dos lucros".
O tema ambiental não é um assunto cartesiano e com receitas repetidas para soluções às suas questões.

Quando perguntados sobre o que gostariam de saber mais, os leitores opinam sobre o Planejamento (processo antes da gestão ambiental ou integrante da mesma) e sobre novas metodologias - que poderíamos classificar como 'tendências' na exercício do trabalho ambiental.

Sugere-se uma pauta sobre os temas escolhidos.
Mande opiniões. Obrigado por ter votado!

Instrumentos Protetores no Planejamento e Gestão territorial




Na questão ambiental e seu gerenciamento, dentro do ordenamento territorial, vale mencionar o que se chama de ênfase preventiva. Isso quer dizer no Direito Ambiental que em princípio não interessa a penalização "a posteriori". A penalização a posteriori (depois do dano) muito pouco representará em relação ao bem maior que se quer proteger - O Meio Ambiente - como direitos difuso e coletivo.

Esta postagem está em sintonia com a leitura da legislação brasileira formal. Mais adiante comentaremos um pouco da história ambiental e o formato de uso dos instrumentos na atualidade.

Existem medidas classificadas como administrativas ao propósito de prevenir ações desconectadas do cosmo ambiental  - equilíbrio e minimização de impactos negativos sobre os recursos naturais e o mais atual -trilhar pela Sustentabilidade do Desenvolvimento:

1) Medidas Preventivas = são aquelas realizadas mesmo no momento em que se concede uma licença para o funcionamento de uma atividade industrial. Ao se requerer a licença de funcionamento (antecipadamente) as condições ambientais devem ter sido cumpridas. Para indústrias já instaladas deve existir o acompanhamento da autoridade administrativa com atribuições de possibilidades revisoras. Para as novas indústrias acompanhar as regulamentações atuais.

2) Medidas Repressivas = no âmbito administrativo abarca graduação que vai desde multas, suspensão temporária da atividade ou fechamento definitivo (depois de reincidências ou não cumprimento de recomendações). O resultante pecuniário constituirá um fundo para buscar reparar os danos (ver a partir da Lei 6.347/1985).

3) Medidas de Estímulo = compensações fiscais e outras a empreendimentos que comprovadamente adotem mecanismos anti-poluentes. Para novas instalações e as que se propõem à revisão e conversão - Irrisoriedade, Custo-benefício ecológico.

O Direito Pátrio dotou a Administração Pública de um rol de mecanismos que se constituem em eficazes instrumentos de proteção preventiva.

- A Avaliação de Impactos Ambientais (AIA) - ver-se numa matéria própria

- Estudos de Impactos Ambientais (EIA/RIMA) = Um dos componentes mais significativos da ação preventiva. Introduzido pela Lei 6938/81 (PNMA) e consolidou-se pela Resolução Conama 01/86. Constitui uma investigação pormenorizada e abrangente sobre todos os aspectos do ecossistema que será afetado, incluindo: trabalho de campo, análises laboratoriais, descrição dos testes, monitoramento dos impactos, metodologia utilizada, literatura científica e jurídica.

- Publicidade dos atos e das atividades = transparência da ação administrativa pública ou privada. Publicidade já é uma exigência intrínseca para a própria legalidade da administração pública.

- Zoneamento = Estabelecido na Lei 6938/1981 em seu art. 9º vai além do já conhecido zoneamento urbano (que é um processo urbanístico para o direito citadino de construir). Tem sentido mais amplo e abarcando inclusive o urbano, condições sociais, ambientais, culturais, de patrimônio arqueológico.
Significa uma intervenção direta do Poder Público na geografia e na ordem econômica e social para condicioná-los à função social da propriedade e ao direito coletivo do Meio Ambiente ecologicamente equilibrado, como garantia constitucional.

A ordenação do território é condição sine qua non (no nosso modelo) para enfrentar tanto a contaminação das águas, mau uso do solo, destruição florestal ou a poluição atmosférica. Constituição Federal do Brasil  inciso IX art. 21 recomenda espaços mais amplos. É competência da União elaborar e executar planos mais nacionais e regionais de ordenação do território, desenvolvimento econômico e social.

O planejamento e gestão do território pode ir além do que unicamente o modelo de ordenamento.
O tema pode ser explorado técnica, científica e metodologicamente.

4) Áreas Reservadas = são espaços protegidos pelo Poder Público - Federal, Estadual e Municipal. "Áreas de Proteção Ambiental" - criação de reservas de proteção à ecologia constituem-se de um poder. Podem ser:
  • Floresta de preservação permanente (por força do Código Florestal)
  • Floresta de preservação permanente por declaração do poder público
  • Estação ecológica
  • Reserva ecológica
  • Reserva Biológica
  • APA
  • Área de relevante interesse ecológico (ARIE)
  • Parques
  • RPPN
  • Monumento natural
  • Local de interesse turístico
  • Horto
  • Reserva região virgem
  • Jardim Zoológico
5) Padrões de qualidade = Padrões como um dos instrumentos da Política Nacional de Meio Ambiente - condição sine qua non para concessão da Licença de Operação e posteriores verificações normas ambientais. Para o estabelecimento desses Standards são levados em consideração rol de fatores: químicos, físicos, biológicos, bacteriológicos, Padrões Pronar, Padrões Conama. Atendendo a definição de padrões e suas extensões. Quando não se tem padrões nacionais para uma finalidade é costume adotar padrões internacionais de equivalência, sempre à forma mais restritiva.

6) Tombamento = Um dos instrumentos protetores mais antigos previstos no direito brasileiro. Decreto-lei 25/1937. CF ampliou 'histórico e artístico' para patrimônio cultural.

A política territorial se configura pelo conjunto de enfoques estatégicos, a médio e longo prazo, assim pelas correspondentes formas de atuação, dirigidas a intervir sobre o território, nas dimensões de interesse do poder público.

Leis e documentos sugeridos:
  • Lei 10.257/2001 regulamenta arts. 182 e 183 CF - Estatudo das cidades
  • Lei 6.766/1979 dispõe sobre o parcelamento do solo urbano
  • Lei 10.683 / 2003 gestão da política de desenvolvimento regional e ordenamento territorial
  • Lei 9.785/99 altera 6015/75
  • Lei 9.985/2000 Lei do SNUC
  • Lei 6.938/81 PNMA
  • Lei 6.803/1980 diretrizes zoneamento industrial
  • Lei 7.347/1985 tutela direitos difusos
  • Resolução Conama 01/86 - AIA
  • Resolução Conama 237/1997 Licenciamento ambiental
  • Sistema de gestão ambiental: BS 7750/1992 (Britânica); ISO 14.001/1996
  • Lei 1.413/1975 áreas críticas de poluição industrial
  • Resolução Conama 306/2002 auditoria ambiental
  • Lei 8.171/1991 Política agrícola - zoneamento agroecológico
Notas: Existem outros documentos legais que devem ser analisados a cada caso. Acompanhar a evolução legal e mecanismos que tornam o meio ambiente objeto na gestão do território é fundamental para projetos ambientais. Planejamento e gestão do território é uma área científica reconhecida, com princípios e métodos próprios.

Raoul Veinegem - um pouco do seu pensamento sistêmico-humano


O primeiro contato com os textos e linguagem de Raoul Vaneigem foi em 2006. Antes tarde que nunca, claro. Ideias fortes e centradas num movimento social-ambiental em torno da descaracterização da mão de obra sem sentido sistêmico e humano.

Vaneigem em seus textos extrapola a valorização humana como o sentido imprenscíndivel da existência. Dialoga com o leitor convencendo-o a criar uma oportunidade existencial.

Em seu livro "A Arte de Viver para as Novas Gerações", publicado em 1967, todos os pilares desta sociedade (movimento Internacional Situacionista) são questionados. A inversão da perspectiva foi sistematicamente exposta como o momento em que a subversão constrói um novo mundo.

"Só podemos compreender este mundo questionando-o como um todo. . . . A raiz da ausência de imaginação dominante não pode ser compreendida a menos que sejamos capazes de imaginar o que falta, isto é, o desaparecido, o oculto, o proibido, e o possível na vida moderna.” (Internacional Situacionista)

Outros textos e um pouco da história que se relaciona com Veinegem podem ser encontrados por aí (só clicar). Pois o pensamento desse filósofo e escritor belga vai muito além do movimento Internacional Situacionista da década de 60.

O contato em Barcelona, numa livraria do Bairro Gótico, foi com o livro "Aviso a los vivos.... - ou - Endereço, sobre a morte viva que governa e a possibilidade de dispor" (tradução aproximada) - clicar para capítulos do livro.

Mais recentemente encontramos em "O Libertário"  uma entrevista por Raoul Veinegem. Aqui oportunamente dividimos o texto traduzido por Hans Ulrich Obrist (com os leitores). Vale dizer que todo o movimento das gerações e a história, consubstancia, e intenciona nos levar a pensar em "Projetos Ambientais" não apenas como (só) a qualidade da água, o clima, os solos e o ordenamento territorial - os critérios e padrões são fundamentais. Mas não há meio ambiente sem a realidade local (econômica), social e humana  - e suas sistemáticas cronológicas - na elaboração de um projeto ambiental.

Por exemplo, não se pode dizer da normalização ambiental sem citar o NEPA (National Environmental Policy Act of 1969). Da mesma forma, o maio de 68 e revolução verde são momentos que agora, neste presente, se mesclam com os propósitos ambientais - que naturalmente são consequencia do comportamento humano frente o uso ao longo do tempo dos recursos naturais.

Sugerimos a entrevista de Raoul Veinegem.

Trechos da entrevista de Hans Ulrich Obrist por Raoul Vaneigem em Agosto de 2009 para a revista e-flux. A entrevista era bastante extensa sendo traduzidas apenas algumas partes relevantes (segundo Hans).

Hans Ulrich Obrist: Acabei de visitar Edouard Glissant [escritor, poeta, romancista, teatrólogo e ensaísta francês] e Patrick Chamoiseau [escritor francês], que escreveram um apelo a Barack Obama. Qual seria o teu apelo ou conselho a Obama?
Raoul Vaneigem: Recuso-me a cultivar qualquer tipo de relação com pessoas de poder. Concordo com os Zapatistas de Chiapas que não querem ter nada a ver nem com o Estado nem com os seus chefes, as máfias multinacionais. Eu proponho a desobediência civil de forma que as comunidades locais possam formar, coordenar e começar a auto-produzir poder natural, uma forma de cultivo mais natural e serviços públicos finalmente libertos dos esquemas do governo quer seja de direita ou de esquerda. Por outro lado, dou as boas-vindas ao apelo de Chamoiseau, Glissant e os seus amigos para a criação de uma existência em que a poesia de uma vida redescoberta coloque um fim ao estrangulamento mortal da mercadoria.[...]

Hans Ulrich Obrist: Escreveste muito sobre a vida, não sobre a sobrevivência. Qual é a diferença?
Raoul Vaneigem: Sobrevivência é vida orçamentada. O sistema de exploração da natureza e do homem, a partir do Neolítico Médio com a agricultura intensiva, causou uma involução em que a criatividade – uma qualidade específica dos seres humanos – foi suplantada pelo trabalho, pela produção de um poder avarento. A vida criativa, como se começou a desenvolver durante o Paleolítico, declinou e deu lugar a uma luta brutal pela subsistência. A partir de então, a predação, que define o comportamento animal, tornou-se o gerador de todos os mecanismos econômicos.[...]

Hans Ulrich Obrist: No seu livro «Making Globalization Work», Joseph Stiglitz defende uma reorganização da globalização no sentido de trazer maior justiça, a fim de diminuir os desequilíbrios mundiais. O que achas da globalização? Como é que nos podemos livrar do lucro como motivação e em vez disso procurar o bem-estar? Como é que nos livramos do imperativo do crescimento?
Raoul Vaneigem: A moralização do lucro é uma ilusão e uma fraude. Tem de haver uma ruptura definitiva com um sistema económico que tem sistematicamente propagado a ruína e a destruição ao mesmo tempo que pretende, por entre a miséria generalizada, produzir um hipotético bem-estar. As relações humanas devem substituir e terminar com as relações comerciais. A desobediência civil significa desrespeitar as decisões de um governo que defrauda os seus cidadãos para apoiar o desfalque do capitalismo financeiro. Para quê pagar impostos ao estado-banqueiro, impostos usados em vão para tentar tapar o ralo da corrupção, quando pelo contrário podemos direccioná-los para a auto-gestão de redes de energia livre em cada comunidade local? A democracia directa de conselhos auto-geridos tem todo o direito de ignorar os decretos da democracia parlamentar corrupta. A desobediência civil a um Estado que nos está a saquear é um direito. Cabe-nos aproveitar esta mudança histórica para criar comunidades onde o desejo pela vida supere a tirania do dinheiro e do poder. Não precisamos de nos preocupar nem com a dívida pública, que encobre uma enorme fraude no interesse público, nem com o artifício do lucro a que eles chamam de “crescimento.” De agora em diante, o objetivo das comunidades locais deve ser o de produzir para si próprias e para si próprias todos os bens de valor social, atendendo às necessidades de todos – necessidades autênticas, isto é, não as necessidades pré-fabricados pela propaganda consumista.

Hans Ulrich Obrist: Edouard Glissant distingue entre globalidade e globalização. A globalização elimina as diferenças e homogeneíza, enquanto globalidade é um diálogo global que produz diferenças. O que achas da sua noção de globalidade?
Raoul Vaneigem: Para mim, deve significar agir localmente e globalmente através de uma federação de comunidades em que a nossa democracia parlamentar desviadora de fundos e corrupta é tornada obsoleta pela democracia direta. Conselhos locais serão criados para tomar medidas que favoreçam o meio ambiente e a vida quotidiana de todos. Os situacionistas chamaram a isto “criar situações que excluam qualquer retrocesso.”[...]

Hans Ulrich Obrist: No seu livro «Utopistics», Immanuel Wallerstein afirma que o nosso sistema mundial está a passar por uma crise estrutural. Ele prevê que serão necessários mais vinte a cinquenta anos para um sistema mais democrático e igualitário substituir este. Ele acredita que o futuro pertence a instituições «desmercantilizadas» e livres de custo (segundo o modelo, digamos, das bibliotecas públicas). Portanto, devemos opor-nos à mercantilização da água e do ar. Qual é a tua opinião?
Raoul Vaneigem: Não sei quanto tempo levará a transformação actual (esperemos que não muito, pois gostaria de a presenciar). Mas não tenho dúvidas que esta nova aliança com as forças da vida e da natureza disseminará igualdade e gratuidade. Devemos ultrapassar a nossa indignação natural pela apropriação lucrativa da nossa água, ar, solo, meio ambiente, plantas e animais. Devemos criar colectivos capazes de gerir os recursos naturais em benefício dos interesses humanos, não dos interesses do mercado. Este processo de reapropriação que eu prevejo tem um nome: auto-gestão, uma experiência tentada muitas vezes em contextos históricos hostis. Neste altura, dada a implosão da sociedade de consumo, parece ser a única solução tanto do ponto de vista individual como social. [...]

Hans Ulrich Obrist: Poderias falar sobre o princípio da gratuitidade (estou extremamente interessado nisso; como curador de museu sempre acreditei que os museus devem ser livres – Arte para Todos, como Gilbert e George o colocam).
Raoul Vaneigem: Gratuitidade é a única arma capaz de despedaçar a poderosa máquina de auto-destruição posta em movimento pela sociedade de consumo, cuja implosão está ainda a libertar, como um gás mortal, mentalidade de sovina, cupidez, ganho financeiro, lucro e predação. Museus e cultura devem ser livres, concerteza, mas também o deviam ser os serviços públicos, actualmente presos aos esquemas das multinacionais e estados. Comboios gratuitos, autocarros, metros, cuidados de saúde, escolas livres, água livre, ar, electricidade, energia livre, tudo através de redes alternativas a serem criadas. À medida que a gratuitidade se espalha, novas redes de solidariedade erradicam o estrangulamento da mercadoria. Isto porque a vida é uma dádiva gratuita, uma criação contínua que a vil especulação do mercado nos priva.