instituto projetos ambientais, em revista

Eugene Odum (1913-2002) ------------------------------------- entrevista




Eugene Odum estudou ecossistemas pelo mundo inteiro, deixando um imenso legado em diversos campos associados a ecologia, aos sistemas, e a energia, e construiu caminho no estudo de diversas áreas, algumas que são agora campos de pesquisa distintos. Odum desvendou a "Ecologia de Paisagens" pelo próprio instinto científico que possuia, partindo a compreender os ecossistemas, e como isto não bastasse, quis decifrar o meio que sustenta as espécies, defrontando na intricada cadeia que se interage pelas trocas de fluxo e matéria, indo além, ao macrocosmos do mundo!

Obras essencias de Eugene Odum:

• Fundamentals of Ecology

• Modelar Ecological (Odum 1960a);

• Engenharia Ecological (Odum e outros. 1963);

• Economia Ecological (Odum 1971);

• Ecology Estuarine (Odum e Hoskins 1958);

• Ecology tropical dos ecosystems (Odum e Pidgeon 1970);

• Teoria geral dos sistemas.

Odum escreveu também sobre ecologia da radiação, ecologia dos sistemas, ciência unificada, e microcosmos. Era um dos primeiros a discutir o uso dos ecossistemas para vida-suporte na função do curso de espaço.
Alguns sugeriram que Odum era tecnocrata na sua orientação, quando outros acreditavam que tomava o partido daqueles a que se chama para “valores novos.”

Em 1950 Odum deu uma definição para a história da ecologia como o estudo de entidades grandes (os ecossistemas) “no nível natural da integração” (em seu Ph.D. ou Tese). Daqui, no papel tradicional de um ecólogo, um dos alvos doutorais de Odum foi reconhecer e classificar entidades cíclicas grandes (ecossistemas). Entretanto outros de seus alvos eram fazer generalizações preditivas sobre ecossistemas, tais como o mundo inteiro por exemplo. Para Odum, como uma entidade grande, o mundo constitui um ciclo contínuo revolvendo com elevada estabilidade. Era a presença da estabilidade que, Odum acreditava, permitia lhe falar sobre o funcionamento de tais sistemas. Além disso, na altura de escrever sua tese, Odum sentiu que o princípio de seleção natural era mais do que empírico, porque teve uma lógica, oriunda de “um componente do tempo excedente da estabilidade”. E como um ecólogo interessado no comportamento e na função do tempo excedente das entidades grandes, Odum procurou consequentemente dar uma indicação mais geral da seleção natural, de modo que fosse ingualmente aplicável às entidades grandes; porque eram as entidades pequenas já estudadas na biologia tradicional.

Daí Odum teve também o alvo de estender o espaço e a generalidade da seleção natural, para incluir entidades grandes tais como o mundo. Esta extensão confiou na definição da entidade como uma combinação das propriedades que têm alguma estabilidade com tempo. A aproximação de Odum estimulou sobre a evolução energética. Odum é na atualidade uma das referências essenciais no estudo da ecologia e das integrações ambientais.


  E  N  t  r  e  V  I  S  t  A                                                                                                     

Tradução da entrevista efectuada por Daniel Edelstein a Eugene Odum, publicada em 27 de Outubro de 2000 em BioMedNet (www.bmn.com)


Daniel Edelstein (DE) – Como se descreve a si próprio?

Eugene Odum (EO) – Sou um ávido ecologista e ambientalista

DE – O que é que em primeiro lugar o inspirou para se dedicar ao seu campo de trabalho?

EO – Na pequena cidade onde cresci podia-se sair de casa e entrar imediatamente na floresta. Assim, em criança, interessei-me por aves. Inspirava-me identificá-las e estudar os seus cantos e chamamentos. Depois de conhecer todas as aves, passei a questionar-me sobre o ambiente em que viviam. A ecologia da paisagem em que viviam intrigava-me.

DE – Porque pensa que fez tantos avanços durante a sua carreira?

EO – Porque fui capaz de ver os sistemas numa perspectiva “do todo”, em vez de ver só as partes. Olhei para as grandes questões juntando todas as peças do “puzzle”.

DE – O que é que gosta acerca do seu trabalho?

EO – Não é unicamente excitante explorar o mundo. É bom ter a sensação de contribuir um pouco para esse mundo, sendo um professor, educando.

DE – O que é que não gosta no seu campo de pesquisa?

EO – Arranjar financiamento é actualmente difícil. Um dos aspectos mais duros na minha profissão é ter de escrever propostas para receber dinheiro para a investigação.

DE – Há aspectos que alteraria?

EO – Não mudaria nada!

DE – Qual foi a sua primeira experiência científica?

EO- Foi o estudo da ecologia de uma parcela de terreno depois de ser fertilizada, observando as consequentes alterações.

DE – Quais foram os resultados da sua primeira experiência?

EO – Bons!

DE – Como é que essa experiência aumentou a sua maturidade como cientista?

EO – Ensinou-me que para verificar se algo é verdade, tem que se fazer um bom teste. Aprendi que não podia aceitar a teoria simplesmente, mas que tinha que testá-la.

DE – Como eram os seus professores de ciências no liceu?

EO – Tive um professor de física que era bastante exigente.

DE – Isso inspirou-o?

EO – Sim, no sentido de que aprendi que nada se consegue facilmente.

DE - Qual é o seu maior motivo de orgulho?

EO – Os livros que publiquei, incluindo “Fundamentos de Ecologia”, que originalmente não tinha mercado porque nessa época não havia cursos de ecologia. As coisa mudaram, claro, e o meu livro ainda é utilizado.

DE – Qual é o seu conselho para um jovem cientista?

EO – Seja o que for que te dá prazer fazer, vai em frente e fá-lo. Faz aquilo que te inspirar.

DE – Em que áreas pensa que precise, você próprio, de conselhos?

EO – Em trabalhar arduamente e aceitar desafios.

DE – O que seria se não fosse cientista?

EO – Seria canalizador.

DE – Porquê?

EO – Eu era tímido quando era jovem, e gostava de saber como é que as coisas funcionavam em conjunto. Tal como na ecologia, notando como as coisas interagem.

DE – Qual o cientista da História que gostava de conhecer?

EO – Aldo Leopold, o ecologista e escritor.

DE – O que lhe perguntaria?

EO – Perguntar-lhe-ia porque é que ele não publicou mais livros, incluindo um estritamente dedicado à ética da terra, desenvolvendo este tema para além das suas ideias iniciais expressas em “The Sand County Almanac”.

DE – Qual o cientista vivo que mais admira?

EO – Lynn Margulis, professor da Universidade de Massachusets.

DE – Qual foi a maior descoberta científica no século XX?

EO – A estrutura do DNA.

DE – Porque essa?

EO – Porque abriu novas oportunidades para muitos campos de investigação e porque levantou novas perguntas sobre a questão de até onde queremos “brincar a ser Deus”, digamos assim.

DE – Quais serão as grandes descobertas deste século?

EO – A maneira de desenvolver uma fonte de energia renovável que passe a integrar o nosso programa energético.

DE – Quais os objectivos de investigação que os cientistas devem impor a si próprios?

EO – Manterem-se focados e serem persistentes.

DE – Como é que a Internet influenciou o que faz para além de lhe proporcionar o e-mail?

EO – Não usei muito a Internet, mas um livro em que estou a trabalhar pode vir a ser publicado “on-line” e vendido através da Internet.

Agenda Ambiental Brasileira



 
         O grupo de profissionais brasileiros, atuantes na área de Meio Ambiente, Recursos Naturais, Biodiversidade e Sustentabilidade aguardam e defendem uma agenda ambiental para o pleito 2011-2014. O processo político, para projetos, estará adequado ao planejar um Agenda Ambiental.

Agenda Ambiental esta, clara e objetiva para o delineamento de Novos Projetos para o período de um futuro próximo.

Não existe conservação e planejamento sustentável que não tenha uma pauta sistemática.
O absurdo deflagrado pelo grupo de políticos culmina 2010 com a insistência adiada de alterar o Código Florestal - dando anistia a desmatadores e descacterizando o conceito de "Bacia Hidrográfica" arduamente inserido no contexto profissional do Brasil a partir da Resoluções Conama 01/86, 237 e em 1997 pela Lei 9.433 sobre a Política Nacional de Gerenciamento Inrtegrado dos Recursos Hídricos.

A Bacia Hidrográfica é um conceito que na realidade do Brasil vem da Agronomia, usando-se no início o termo "Micro Bacias Hidrográficas" então como divisão espacial so território e como unidade de referência para projetos agrícolas.

Todavia a agricultura subversiva deseja implementar no conceito profissional o conceito de Bioma - nesta oportunidade de defesa de anistia para desmatadores.
Vale lembrar que existem conceitos e vários tipos de agricultura no Brasil.
Ao caso de sugestionarmos apenas a ocupação de novos territórios; Enquanto no Brasil a Embrapa - Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária é uma instituição sólida e com várias pesquisas avançadas em tecnologia para a agricultura e agropecuária.
Os estudos e pesquisas da Embrapa ainda tem dificuldade de alcance à massa de produtores e empresários do setor de agronegócios.

Vale dizer todavia, que a discussão ao redor de novos paradigmas em integração da agricultura e meio ambiente são o que de mais oportuno pode traduzir produtos com maior valor agregado.

A agricultura convencional está discutindo a 'vírgula' da questão ambiental, insistindo em preconizar modelos antigos e retrográdos na evolução sustentável da agricultura.
A agricultura pode ampliar-se por caminhos preservacionistas e com projetos associados ao tema ambiental - ampliar seus subsídios, propor novos programas, produzir com tecnologia limpa, usar métodos de menor impacto ambiental, buscar apoio para a consolidação das leis ambientais.

Mas, continuar a mesma agricultura de 30 anos atrás e dizer que agora o pequeno produtor é o mais prejudicado pelas leis ambientais é apelar para a 'vírgula da questão ambiental'.

Tem uma expressão no idioma português usado no Brasil, que diz durante a brincadeira entre crianças assim:
"apelou perdeu". Ou seja, entre crianças se está divertindo pela melhor qualidade de vida.
Esta agricultura que está brigando pela anistia a desmatatodores em tempos de sérias mudanças climáticas, na menor possibilidade está "apelando". O que quer dizer 'passando dos limites!'

Esta agricultura que defende a anistia de desmatadores está como aquele adulto (pai e mãe) que ao dar o melhor exemplo e maior conforto às crianças, defendendo-as - na verdade estão representando o 'adulto' que na brincadeira com a criança 'só quer ganhar'.

O adulto que só quer jogar com as crianças para poder exarcebar seu poder frustado e ganhar mais e mais.
O adulto que deveria abrir mão do conhecimento tecnológico para garantir maior produção de alimentos para condições ambientais ainda melhores para as crianças do futuro.

"Apelou, perdeu!"

PS: e isto não é um caso clínico de psicologia ambiental?

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Estamos aguardando a Agenda Ambiental Brasileira - para que o processo tecnológico e a evolução da ciência e pesquisa não deêm lugar ao oportunismo capital cego - que em lugar de uma evolução deliberada e raciocinada postulem fragmentos humanos que ainda estão no instinto primata logrando maneiras mais caras de usar a natureza.

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A próxima reunião do Clima está próxima, acontecerá no México na transição deste mês para Dezembro. Depois do fracasso de Copenhague o que podemos esperar para Cancún? A poisção profissional e cidadã de cada um de nós pode ser a tônica ambiental - como foi durante o processo político brasileiro.

"Sustentabilidade é sim defender o Meio Ambiente."
Não tenha preconceito ambiental. Qualquer forma de terminologia que traga em si alguma forma de preservação ou dimunição de impactos ambientais se associam ao Desenvolvimento Sustentável.
Se trata de um desafio imenso e complexo.

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Qual a postura do Brasil em Cancún?
Mostraremos como alcançar metas de redução nas emissões e Carbono?
Qual o projeto ambiental brasileiro para os próximos quatro anos?
Qual o projeto ambiental brasileiro para os Índios e para as etnias minoritárias?

PS: Existem projetos ambientais em macro, meso e micro escalas. Desenvolver um projeto ambiental é integrar a questão humana e econômica aos propósitos mais amplos da cadeia ecossistêmica, reconhecendo que os efeitos causais de ações isoladas podem interferir em respostas causais desastrosas e por vezes irreverssíveis. Na natureza não existe dimensão fragmentada do cosmo ambiental integrador como o clima e as integrações de águas no processo hidrológico aos usos e sobrevivências humanas e de seres vivos. O nexo causal da extinção de uma espécie é um sinalizador sério para a evidência de que a espécie humana está se isolando do processo natural. Assim como não existe ambientalista e profissional que só atua no Desenvolvimento Sustentável. Quem defende a Sustentabilidade, mais ou menos, direta ou tangencialmente defende os recursos naturais e seu uso adequado e para todos, especialmente ao futuro.

Bom final de semana!

Viva os Índios do Brasil! - bravura ancestral nas terras tropicais



Não são boas as notícias sobre os índios do Brasil, mas são marcadas por coragem, bravura e uma luta incansável diante do pouco avanço político nos projetos aplicados aos seus direitos e culturas.

"A matéria da Revista Caros Amigos - especial, traz o título da foto, delatando um genocídio surreal. Diz respeito aos Guarani-Kaiowá (Estado do Mato Grosso do Sul) - e escrita pelos jornalistas Joana Moncau e Spensy Pimentel."

Já no início da matéria um choque pela informação "Imagine um lugar onde as pessoas TÊM EXPECTATIVA  DE VIDA INFERIOR À DE PAÍSES AFRICANOS EM GUERRA, onde a taxa de assassinatos é semelhante à dos bairros mais violentos das metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro, e onde (pasmem) as taxas de suicídio estão entre as maiores do mundo"

E esse lugar é a terra onde você nasceu, mas que lhe foi tirada a força por grupos alheios e com o apoio do governo do seu país (...)

A caótica situação dos Guarani-Kaiowá está em evidência no país e sendo destaque na midia internacional. Na transição do atual governo populista do Brasil, o Presidente da República está sob o desafio de apresentar um projeto para a situação das populações indígenas, ou o país completará dezessete anos, e mais de "Quatro Mandatos Presidenciais" SEM RESOLVER O PROBLEMA.

Só em 2010 foram quatro relatórios internacionais que sublinharam a questão.
É uma luta constante e contínua, ano após ano, em detrimento de posseiros e grileiros de terras ou ainda uma faceta da agricultura brasileira - na 'muleta' de que estão gerando emprego e alimento - em detrimento aos direitos indígenas, sua história, sua cultura.

A edição da Revista Caros Amigos especial ano XIV Nº 51 outubro de 2010 é muito relevante e aos interessados deve ser lida na íntegra.

Neste destaque da matéria citada, fazemos uma referência para a ausência de projetos e uma agenda para os direitos das populações indígenas.
Enquanto o governo populista não apresenta um projeto e uma agenda de proteção aos direitos dos indios brasileiros, a coragem dessa população-mãe, aqui na nossa terra, continua respirando pela mídia.

Nosso título faz uma homenagem a coragem do povo indígena, dizendo VIVA!

Viva sim! Viva os Guaranis, os Tupinambás! Viva o índio do Xingu!
Viva o índio brasileiro.

PS: o crédito da foto é de Rosa Guaditano.

"No Coração do Lixo" (continuidade do documentário)



            A primeira parte do documentário "no coração do lixo" foi postada em Julho deste ano. Agora, nesta etapa apresentamos aos nossos leitores, outra parte, continuidade do documentário. O filme busca apresentar a realidade de pessoas que sobrevivem da reciclagem. Para isto, absorve da história de duas senhoras - Idelvanda e Sebastiana - a descoberta maior que não é apenas a de sobrevivência pela economia capital; existem buscas maiores pela realidade do lixo. Buscam-se formas (no plural) de sobrevivências. Talvez a mais inusitada seja a da própria inclusão social: criando seus próprios horários de trabalho; compreendendo uma satisfação em realizar um trabalho ambiental; e a integração com a sociedade em geral, a cada dia de trabalho (seja pela educação ou pelo debate ao preconceito). Existe uma linguagem própria entre os catadores de reciclagem e, também, uma individualidade nas buscas e valores que cada um desenvolve no próprio relacionamento com o lixo e a lixeira - que passam a ser seus de alguma forma. Buscar no lixo do outro 'o trabalho' é muito além do valor ambiental puro, mas sim um protesto às formas de excludência e à separação entre as pessoas pelo amor autoritário. Por outro lado, os donos do lixo e das lixeiras, no caso desta história, passam a respeitar o trabalho das duas senhoras, estão aprendendo a deixar separado o lixo reciclável e em muitas residências dialogam, conversam, ou mesmo pedem para os seus filhos levarem o lixo separado nas mãos delas.

Mas há ainda muito preconceito e orgulho - pois o lixo é tudo aquilo de que queremos nos livrar: nossos restos, nossos vícios, paixões, rancores, mágoas, dejetos, tudo aquilo que não nos serve mais.

Idelvanda trabalha a dez anos com reciclagem de resíduos e a Dona Sebastiana a mais de um ano. As duas são vizinhas e sustentam suas famílias com o lixo. Idelvanda cria cinco filhos. Sebastiana duas filhas. Fazem questão de trabalhar fora e manter a casa. No início do trabalho o carrinho vazio ainda é suportável, mas a medida que vai enchendo e o trânsito aumenta, chega a noite, o peso do lixo se torna imenso. A legalidade do trabalho de catadores de reciclagem depende de políticas públicas e o futuro incerto é uma séria responsabilidade dos governos. Um projeto ambiental emergente.

A continuidade na cadeia de reciclagem acima das duas senhoras, oscila preços nos valores de cada produto reciclável. Elas vivem à mercê dessa ilegalidade. Agora, o que não se paga mesmo, é o preconceito no dia-a-dia em cada coleta, muito maior que o peso de toneladas de lixo.

Separe o seu lixo não o seu coração!
Respeite os catadores e colabore.
A eles, e a Idelvanda e Sebastiana, dedicamos este filme.